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15 dias

Exército cassa registro de armas de pai de adolescente após morte de amiga

Isabele Guimarães morreu aos 14 anos, em 12 de julho, após disparo feito por sua amiga em Cuiabá (MT) - Arquivo Pessoal
Isabele Guimarães morreu aos 14 anos, em 12 de julho, após disparo feito por sua amiga em Cuiabá (MT) Imagem: Arquivo Pessoal

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Recife

23/09/2020 19h52

O Exército Brasileiro cassou os CRs (Certificados de Registros) de arma de fogo para prática de tiro desportivo, de forma permanente, da família da adolescente de 15 anos indiciada pela Polícia Civil de Mato Grosso por ato análogo a homicídio doloso (quando há intenção de matar) na morte da garota Isabele Guimarães Ramos, 14.

A vítima morreu ao ser atingida por um tiro no rosto no último dia 12 de julho, em Cuiabá. A família do namorado da adolescente também teve os CRs cancelados.

Segundo o Exército Brasileiro, desde o dia 5 de agosto, as duas famílias envolvidas no caso estão proibidas, permanentemente, de possuir, portar e circular com arma de fogo.

Antes, o Exército tinha suspendido temporariamente os CRs das armas de fogo das famílias envolvidas no caso até a conclusão do inquérito policial para, depois, o Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados adotar providência permanente cabível ao fato.

A defesa dos envolvidos informou ao UOL, na noite de hoje, que não vai se pronunciar sobre o assunto.

Arsenal em casa

No dia da morte de Isabele, a polícia encontrou um arsenal com seis armas de fogo na casa do pai da adolescente denunciada, que é empresário, que admitiu que as armas pertenciam a ele, além de duas armas que pertencem ao pai do namorado dela.

O adolescente admitiu à polícia que levou duas armas do pai dele para casa da namorada. Uma das armas foi utilizada no disparo que matou Isabele.

O pai da adolescente acusada de matar Isabele foi preso em flagrante por posse e porte ilegal de arma de fogo depois que a polícia encontrou um arsenal na residência dele durante as primeiras investigações da morte de Isabele.

O empresário pagou R$ 1 mil de fiança para responder em liberdade provisória. O valor mudou três vezes, foi para R$ 209 mil, caiu para R$ 10 mil, e voltou a ser aumentada para R$ 52,2 mil, seguindo decisões da Justiça. Ele pagou o valor dividido em duas vezes.

Relembre o caso

O inquérito que investigou a morte de Isabele Ramos, a adolescente apontada como autora do disparo foi indiciada por ato infracional de homicídio doloso, imprudência e imperícia. Por ser menor de 18 anos, caso seja condenada, o Estatuto da Criança e Adolescente permite apenas três anos de internação.

Neste mesmo inquérito, o pai da adolescente foi indiciado por homicídio culposo, posse ilegal de armas, fraude processual e entrega de arma para menor de 18 anos e resultado morte. O namorado da adolescente, que tem 16 anos, que levou a arma para a casa dela vai responder ao ato infracional análogo a porte ilegal de armas.

Já o pai dele foi indiciado por deixar ao alcance de menor de 18 anos. Segundo inquérito policial, a adolescente infratora estava com uma das armas do sogro dela quando atirou e matou Isabele. A arma, uma pistola 380 Imbel, foi levada junto com outra arma pelo namorado da adolescente infratora.

A polícia concluiu o inquérito, mas não soube determinar a motivação do crime.

Adolescente apontada como autora da morte de Isabele chegou a ser internada por determinação da Justiça, no Case (Centro de Atendimento Socioeducativo Feminino), localizado no Complexo Pomeri, em Cuiabá, mas a defesa dela conseguiu um habeas corpus em menos de 24h.

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