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Eletricista é morto ao cortar energia elétrica de fazenda devedora em PE

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Recife

29/09/2020 22h05

Um eletricista da Celpe (Companhia Energética de Pernambuco) foi assassinado a tiros após cortar o fornecimento de energia elétrica na fazenda Haras Vovó Zito, localizada na zona rural no município de Limoeiro (PE), na região Agreste do estado, na tarde de hoje. A vítima foi identificada como José Reginaldo de Santana Júnior, de 31 anos.

A interrupção da energia elétrica foi determinada pela empresa por falta de pagamento do cliente. O proprietário da fazenda é suspeito de cometer o assassinato — o homem não teve o nome divulgado pela polícia. A Polícia Militar informou ao UOL que faz faz buscas na região para localizá-lo, mas até agora ele não foi preso e nem se apresentou à delegacia do município.

José Reginaldo estava junto com outro eletricista quando foi assassinado a tiros por volta das 16h. Segundo a polícia, o outro colaborador da Celpe foi obrigado a fazer a religação da energia elétrica sob a mira de uma arma de fogo.

José era morador de Carpina, município localizado na zona da Mata Norte de Pernambuco. A família dele não divulgou onde o corpo está sendo velado e onde ocorrerá o enterro. A Celpe informou que está prestando assistência à família do funcionário.

O delegado Fabrício Pimentel, titular da Delegacia de Homicídios de Limoeiro, está investigando o caso. Ele esteve no local do crime para as primeiras investigações e, depois, colheu depoimento do outro eletricista, que tem 39 anos. Por medida de segurança, o nome dele não será divulgado.

O eletricista relatou que o dono da fazenda fechou a porteira com um cadeado para impedir que os dois trabalhadores da Celpe saíssem do local após a conclusão do corte de energia elétrica. Em seguida, o proprietário da fazenda teria atirado contra os dois eletricistas, mas os disparos atingiram apenas um deles.

O homem relatou à polícia que está amedrontado de voltar ao trabalho e afirmou que foi obrigado pelo proprietário da fazenda, sob a mira de arma de fogo, a fazer a religação da energia elétrica da propriedade. Ainda segundo relato do trabalhador, o fazendeiro o obrigou a entrar no porta-malas do carro da Celpe e depois fugiu. Mesmo preso no porta-malas, o homem conseguiu telefonar para a polícia e pedir ajuda.

A Polícia Militar confirmou o ocorrido e disse que "ao chegar ao local, os policiais militares isolaram a área até a chegada das autoridades competentes."

A Celpe se manifestou, por meio de nota, destacando que "recebeu com consternação a notícia do assassinato do colaborador", e que "lamenta o ato brutal praticado contra o eletricista." A companhia afirmou que "condena, veementemente, qualquer conduta violenta, sobretudo que atente contra a vida".

A Celpe informou ainda que o departamento jurídico foi acionado para acompanhar a instauração do inquérito policial que vai investigar a morte do trabalhador e espera "das autoridades públicas o pleno cumprimento da lei".

O UOL tentou encontrar o contato da fazenda Haras Vovô Zito na noite de hoje, mas não conseguiu. A propriedade não possui telefone fixo.

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