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1 mês
'Inadmissível', diz Anistia Internacional sobre morte de homem no Carrefour

Do UOL, em São Paulo

20/11/2020 15h22

A Anistia Internacional lamentou a morte de um homem negro agredido no estacionamento do Carrefour e classificou como "inadmissível" a atuação violenta de agentes da segurança pública ou privada.

O aposentado João Alberto Silveira Freitas, 40, morreu ontem após agressões de um segurança e um PM fora de serviço, em Porto Alegre.

Em nota de repúdio, o órgão afirmou: "Mais um corpo negro tombou. João Alberto Silveira Freitas foi espancado até a morte nas dependências de uma loja do Carrefour, em Passo D'Areia, Porto Alegre, e é mais uma vítima do racismo estrutural no país".

De acordo com relatos, a vítima teria discutido com a caixa do estabelecimento e conduzido pelo segurança até o estacionamento da loja, no andar inferior. Um policial militar temporário - funcionário contratado pela Brigada Militar por tempo determinado, para atividades administrativas -, acompanhou o deslocamento, que acabou no espancamento de Freitas.

A cena vem sendo comparada nas redes sociais ao que aconteceu com George Floyd, que morreu sufocado por policiais nos Estados Unidos.

Os agressores foram presos, suspeitos de homicídio doloso. A polícia aguarda o laudo pericial e mais imagens de câmera para esclarecer o caso. A investigação segue com a 2ª DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa).

"É inadmissível que agentes de segurança pública ou privada façam uso excessivo da força, violando as normas internacionais e os princípios de legalidade, necessidade e proporcionalidade", reafirmou a Anistia Internacional.

"O Carrefour, seu segurança e o policial da Brigada Militar do Rio Grande do Sul devem ser investigados e responsabilizados pelos crimes cometidos de homicídio e racismo".

A Anistia também pediu que a sociedade brasileira avance na luta antirracista.

"O Dia da Consciência Negra é um dia de luta e hoje estamos em luto novamente por mais um crime bárbaro contra uma pessoa negra. É muito triste testemunharmos mais uma vez como o racismo mata, como uma pessoa negra foi assassinada por um policial militar e um segurança privado", afirmou Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.

O órgão ainda recordou os Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, que estabelecem o dever das empresas em respeitar os direitos humanos e adotar medidas de prevenção e, quando for o caso, mitigação de violações de direitos humanos.

"Assim, o Carrefour tem a obrigação de tomar medidas para combater as práticas racistas dentro de suas lojas, implementando mudanças para coibir o racismo e a discriminação contra pessoas negras".

Carrefour teve morte de cachorro e corpo coberto por guarda-chuvas

O Carrefour reúne uma série de casos de violência. No final de 2018, um cachorro foi morto por um segurança após ser agredido com uma barra de metal em Osasco, na Grande São Paulo.

Em agosto deste ano, um homem teve um mal súbito e acabou morrendo no interior da loja no Recife. Para manter o local em funcionamento, funcionários bloquearam o acesso visual ao corpo de Moisés com tapumes e guarda-sóis. O caso gerou revolta na internet.

"Já passou da hora de autoridades públicas, empresas e sociedade civil se unirem na luta contra o racismo estrutural que a cada 23 minutos mata um jovem negro no Brasil. É preciso transformar a revoltante morte de João Alberto em medidas efetivas de igualdade racial, afinal Vidas Negras Importam", completou Jurema Werneck.

O Carrefour decidiu romper o contrato com a empresa de segurança e fechará a loja. Em nota, o mercado afirmou que "adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso".

"O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário", disse a empresa.

O Carrefour, ainda em nota, disse "lamentar profundamente o caso" e afirmou que iniciou uma "rigorosa apuração interna".

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