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Tio diz ter reconhecido vítima de acidente em Taguaí pela tatuagem: 'Sorte'

Elisangela Aparecida Mingote, 24 anos, uma das vítimas do acidente em Taguaí, no interior de SP - Arquivo pessoal
Elisangela Aparecida Mingote, 24 anos, uma das vítimas do acidente em Taguaí, no interior de SP Imagem: Arquivo pessoal

Natália Lemos

Colaboração para o UOL, em Itaí (SP)

26/11/2020 14h55Atualizada em 26/11/2020 16h07

Vítimas do acidente envolvendo um ônibus na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho (SP-249) foram veladas e enterradas no município de Itaí, na madrugada de hoje. Quarenta e uma pessoas morreram depois que um ônibus bateu em uma carreta, no trecho entre Taquarituba e Taguaí. Trinta e nove moravam em Itaí. Algumas foram transportadas para as cidades da região onde familiares optaram pelo sepultamento.

Os corpos começaram a ser enterrados por volta da 1h, com ajuda de refletores de iluminação e cumprindo as medidas de segurança estabelecidas pelo decreto municipal, que permite a realização de velórios de apenas duas horas e com entrada restrita aos familiares. As vítimas foram veladas em ginásios poliesportivos disponibilizados pela Prefeitura de Itaí.

Parentes das vítimas contaram ao UOL que tiveram dificuldade no reconhecimento dos corpos no IML (Instituto Médico Legal) de Avaré, devido às condições em que as vítimas foram encontradas no local do acidente.

Elisangela Aparecida Mingote, 24 anos, foi uma delas. De acordo com a família, ela foi reconhecida por causa de uma tatuagem no braço e pela cor do esmalte que usava. "A nossa sorte foi que ela tinha uma tatuagem de um terço feita recentemente em um dos braços, e foi por ela que conseguimos reconhecer o corpo", disse o tio da vítima, Manoel Mingote

Elisangela fazia o trajeto diariamente há dois anos e, no dia do acidente, segundo os familiares, saiu de casa atrasada, por volta das 5h30. Ela pegou carona para conseguir chegar a tempo no ponto de ônibus.

"A gente até brinca dizendo que não era para ela ter ido trabalhar. Ela saiu atrasada da casa dos meus sogros, pegou carona para chegar até o ponto de ônibus e só conseguiu ir porque o ônibus também estava atrasado e passou pelo local um pouco mais tarde que o horário normal", disse Felipe Martins, cunhado da vítima.

A família recebeu a notícia do acidente por volta das 7h50 e a morte foi confirmada somente no fim da tarde, quando a família conseguiu fazer o reconhecimento do corpo.

"Ela tinha costume de ir dormindo no ônibus e, quando eu cheguei para reconhecer o corpo, ela ainda estava com o tapa olho no rosto, o que deixa a gente confortado. Ela não teve tempo de ver nada do que aconteceu", completou Felipe.

A jovem foi sepultada no início da manhã de hoje no cemitério de Itaí. O último enterro realizado na cidade aconteceu por volta das 10h50.

Homenagem

A Prefeitura de Itaí decretou luto oficial por três dias no município, permitindo a abertura somente de serviços essenciais, como supermercados e farmácias.

Na tarde de hoje, os familiares e amigos das vítimas vão soltar 39 balões brancos nas proximidades do Cemitério Municipal, com objetivo de homenagear os mortos.

Mapa mostra localização onde ônibus e caminhão bateram, com mais de 40 mortes - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa mostra localização onde ônibus e caminhão bateram, com mais de 40 mortes
Imagem: Arte/UOL

Investigação

A Polícia Civil aguarda laudos técnicos para esclarecer as causas do acidente, mas afirma que também apura versões conflitantes apresentadas pelo motorista do ônibus, por um caminhoneiro que teria sido ultrapassado pelo ônibus e pelo passageiro sobrevivente do caminhão envolvido no acidente.

De acordo com a polícia, a versão apresentada pelo motorista do ônibus é de que o freio do veículo falhou e teve de alterar a direção para tentar evitar algo pior. Já as versões do caminhoneiro que teria sido ultrapassado pelo ônibus e do passageiro sobrevivente do caminhão são semelhantes: apontam que o ônibus tentou ultrapassar em área proibida.

O ônibus envolvido no acidente levava funcionários de uma empresa têxtil, a Stattus Jeans, para o trabalho. O advogado da fábrica, Emerson Fernandes, afirmou ao UOL que o ônibus era uma espécie de "lotação" contratada pelos próprios funcionários, sem ligação direta com a empresa.

A Star Fretamento e Locação Eirelli EPP, responsável pelo ônibus, emitiu nota dizendo estar prestando auxílio para as vítimas e afirmou que toda a documentação do veículo está em situação legal. Porém, de acordo com a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), a Star não possui registro para transporte de passageiros e roda ilegalmente desde outubro de 2019.

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