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'Eu vi tudo, isso me sufoca', diz irmão de professora que morreu em SC

Eduardo Leal Neto e a irmã Soliane Luiza Costa - Reprodução/Facebook
Eduardo Leal Neto e a irmã Soliane Luiza Costa Imagem: Reprodução/Facebook

Giorgio Guedin

Colaboração para o UOL, em Blumenau (SC)

21/01/2021 17h07

Passear e registrar os bons momentos. É isso que resumia a relação entre Eduardo Leal Neto e a irmã Soliane Luiza Costa, que caiu de um costão de aproximadamente cinco metros enquanto posava para uma foto em uma praia de Santa Catarina, no último domingo (17). Ela se afogou, foi resgatada com vida, mas não resistiu e morreu ainda na praia. Quem registrava a fatídica foto era Eduardo, que tentou salvá-la, mas pouco pôde fazer.

Soliane tinha 28 anos, morava com Eduardo e a mãe em Navegantes (SC), a cerca de 20 km do local da tragédia. Em entrevista exclusiva ao UOL, ele conta que naquele dia, enquanto tomavam café da manhã em família, sonhou que estava escalando uma parede de rochas e que, depois de muito esforço, teria passado pelo obstáculo. Soliane teria dito, então, que ia pesquisar na internet o significado daquele pensamento do irmão.

Eles saíram por volta das 13h de domingo e, junto com uma amiga, foram primeiro até Balneário Piçarras até chegar a Penha, na Ponta do Vigia. Como sempre fazia, Eduardo iria bater mais uma foto da irmã. Ao se posicionar, Soliane escorregou, caiu e uma onda a levou do costão, de onde despencou de uma altura de aproximadamente cinco metros.

Eduardo tentou salvar a irmã, mas não sabia nadar. "Eu entrei em desespero para pegá-la. Eu queria pular. Eu tomava distância, vinha correndo. Quando eu ia pular, parecia que na frente tinha uma barreira na minha frente dizendo: 'não pula que você vai morrer e não vai pegá-la'", lembrou Eduardo.

Os guarda-vidas da praia conseguiram localizar Soliane, e um helicóptero do Corpo de Bombeiros a resgatou. Ela ainda recebeu os primeiros atendimentos na orla, mas enquanto se preparava para ser transportada até o hospital sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu.

Além de irmã, uma filha

Por ser o irmão mais velho de Soliane, com diferença de 12 anos, Eduardo a enxergava como uma filha. Os dois sempre buscavam passear e registrar os momentos aos fins de semana.

"Todos os lugares que ela gostava de bater fotos, eu sempre ia primeiro [na frente]. Para ela ver que tinha segurança. Eu fiz o que pude para protegê-la. É uma situação que não sai da mente. Que eu não consegui fazer nada, vendo desde o início até o fim", relembra. "Eu vi tudo aquilo. A cena da queda, ela sendo arrastada para o mar... isso me sufoca", continuou.

Soliane era divorciada, estava namorando e não tinha filhos. Ela trabalhava como professora em um Centro de Educação Infantil em Balneário Camboriú, que, em postagem nas redes sociais, a descreveu como "uma professora exemplar, dedicada, carinhosa e muito amada por todos".

Já a família de Soliane tenta, de alguma forma, voltar à normalidade. "Tudo isso me deixa totalmente sem visão para o futuro. Deus está operando em mim, pois eu tenho minha família, tenho meus amigos, meu filho e não posso desabar. Está um vazio, está muito complicado", desabafou.

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