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Ex-secretário do RJ suspeito de corrupção volta a dar aulas na Uerj

O ex-secretário estadual de saúde do Rio de Janeiro Edmar Santos - Reprodução/Facebook
O ex-secretário estadual de saúde do Rio de Janeiro Edmar Santos Imagem: Reprodução/Facebook

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

03/03/2021 11h23

O ex-secretário estadual de saúde do Rio de Janeiro Edmar Santos, suspeito de participar de um rol de fraudes à frente da pasta e investigado por recebimento de propina quando ainda ocupava a direção do HUPE (Hospital Universitário Pedro Ernesto), voltou a dar aulas como professor da Faculdade de Medicina da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

De acordo com a universidade, Santos permaneceu afastado do cargo no ano passado, em função de uma licença médica que acabou em fevereiro. O ex-secretário foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) por corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro por intermédio de organização criminosa junto ao governador afastado Wilson Witzel (PSC) por contratos de compra de respiradores pulmonares durante a pandemia.

Além da suspeita de diversas irregularidades à frente da secretaria de saúde, Edmar Santos teria recebido R$ 7 milhões em propina quando era diretor do HUPE, entre 2016 e 2019.

O retorno do professor às aulas de Anestesiologia, que ocorrem por videoconferência, ocasionou revolta nos alunos.

"Professor é exemplo, é inspiração, como permitem que depois de tantas fraudes, ele assuma uma sala de aula novamente? Não se fala em outra coisa na Uerj. Estamos sem acreditar que isso foi permitido. Não existe um Comitê de Ética?", disse uma estudante de Medicina, que pediu para ter o nome preservado.

Procurada, a universidade informou que "a Uerj realizou uma sindicância e instaurou um Processo Administrativo Disciplinar, que está em curso [contra o professor] e que até sua conclusão, o servidor não pode ser afastado das atribuições" e que por isso o docente teve de retornar às aulas.

A Uerj destacou ainda através de nota que não houve desvio de verba do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe). "As irregularidades praticadas por Edmar Santos quando dirigia o hospital foram referentes ao recebimento de propina junto a empresas fornecedoras, que buscavam o pagamento de faturas devidas do Governo do Estado do Rio de Janeiro", explicou.

Delator de esquema na secretaria

De suspeito, Edmar Santos passou a ser delator no processo que apura inúmeras irregularidades na secretaria de saúde que incluem desde compras de respiradores com sobrepreço ou compra de equipamentos inadequados para tratamento da covid-19 a superfaturamento em contratos de hospitais de campanha. O valor gasto pelo governo do estado durante a pandemia chegou a R$ 1 bilhão, na ocasião. Edmar comandou a pasta entre janeiro de 2019 e junho de 2020.

Ele chegou a ser preso em julho do ano passado e solto em agosto, após delação premiada - que permitiu o afastamento do então governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), suspeito de participar dos esquemas.

No Hupe, antes de assumir a Saúde do Rio, Santos já integrava esquemas de pagamento de propina. Ele recebia para agilizar o pagamento às empresas Verde e Magna em contratações de prestação de serviço à Uerj. As empresas eram ligadas ao empresário Edson Torres, que também confessou participação em desvios no estado.

No ano passado, quando a polícia prendeu Edmar, durante a Operação Mercadores do Caos, em julho, foram apreendidos também R$ 8,5 milhões em dinheiro.

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