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2 meses

Caso Henry: Investigação pode ser finalizada em duas semanas, diz promotor

Ana Caratchuk, Luís Adorno, Rafael Bragança e Allan Brito

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL

09/04/2021 16h17

O promotor de Justiça Marcos Kac, que acompanha as investigações sobre o caso da morte do menino Henry Borel Medeiros, 4, afirmou na tarde de hoje, no UOL Entrevista, que o desfecho das apurações deve ocorrer entre 10 e 15 dias. A entrevista foi conduzida pela colunista Juliana Dal Piva e pelo repórter Herculano Barreto Filho.

"Acredito que investigação está muito bem conduzida, sendo feita com total isenção e imparcialidade. O MP está acompanhando desde o primeiro minuto (...). Posso afirmar que atividade está sendo desenvolvida da melhor forma. Acredito que em mais uma semana, 10 ou 15 dias, a gente possa ter o desfecho da investigação", afirmou o promotor.

De acordo com o promotor, além das mensagens da babá, que mostram que o menino sofria consequentes agressões, foi verificado múltiplas lesões que atingiram rins, pulmão e cabeça. "Temos lesões externas praticadas por dedos quando você segura pessoas branquinhas. Deixa marca roxeada", disse.

Caso Henry

O menino Henry Borel Medeiros, 4, foi encontrado morto, em 8 de março deste ano, no apartamento que sua mãe, Monique Medeiros, morava com o namorado, o vereador Dr. Jairinho. O menino tinha diversas lesões graves pelo corpo, de acordo com a Polícia Civil.

A mãe e o vereador afirmaram à polícia que o menino sofreu um acidente doméstico. Para a polícia, no entanto, a versão apresentada pelos dois é falsa. A perícia feita no corpo de Henry apontou que a causa de sua morte foi uma hemorragia interna e uma laceração no fígado causada por uma ação contundente.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Henrique Damasceno, o casal cometeu o crime de homicídio duplamente qualificado e poderá ser condenado a 30 anos de prisão. Segundo ele, o casal torturou e causou impossibilidade de defesa da criança durante o crime.

A investigação localizou, por meio de conversas da babá da criança com a mãe, que ele sofria agressões físicas constantemente do vereador. A babá do garoto, segundo a polícia, era muito próxima do casal e mentiu em depoimento para respaldar a versão apresentada por eles. Ela pode responder pela prática de falso testemunho.

Segundo os investigadores, o vereador se trancou quarto para agredir a criança com chutes e pancadas na cabeça um mês antes do crime —a mãe soube das agressões, ainda de acordo com a polícia.

Um dia antes do ocorrido, Henry foi deixado pelo pai, Leniel Borel, no condomínio da mãe após um final de semana. Câmeras de segurança flagraram a chegada do menino. Na madrugada do dia seguinte, Jairinho e Monique foram vistos levando o menino ao Hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca, onde relataram que a criança apresentava dificuldade respiratória.

O casal então ligou para o pai do garoto para relatar o ocorrido. Leniel foi, então, até a unidade de saúde e encontrou os médicos tentando reanimar a criança. Orientado pelos profissionais do hospital, o pai do menino abriu uma ocorrência na 16ª DP para entender o que aconteceu com o filho.

Os dois foram detidos ontem, quando completou um mês da morte da criança, em um endereço que eles não tinham informado inicialmente no inquérito, na casa de uma tia do vereador, em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro.