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Segurança pública

Corpos e granadas: Moradores registram em vídeos ação com 25 mortos no Rio

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

06/05/2021 15h48

Um vídeo mostra dois homens mortos no chão em um beco estreito, a uma distância de apenas 5 m entre os corpos. Em outro registro, ao menos seis policiais aparecem correndo por uma rua. Enquanto um helicóptero sobrevoa o local, é possível ouvir o som de tiros. Na rua, imagens feitas por uma moradora mostram duas granadas no chão.

Em meio a um cenário de guerra, moradores do Jacarezinho, na zona norte carioca, registram o clima de terror na operação policial mais letal do Rio, que deixou ao menos 25 mortos —entre eles, um policial civil atingido por um tiro na cabeça. A ação ocorre após o STF (Supremo Tribunal Federal) restringir operações durante a pandemia.

"Uma granada na Amaro Rangel [rua no Jacarezinho], ó! Não sabemos se está desativada ou não", diz uma moradora, ao mostrar o artefato explosivo no chão. "Essa eu acho que está estourada, hein?", responde uma vizinha, após as imagens mostrarem outro objeto no meio da rua.

No vídeo feito de uma laje no Jacarezinho —que registrou policiais, tiros e um helicóptero—, um homem comenta: "Olha aqui na rua, mané. O bagulho tá doido, rapaziada. Que Deus proteja a todos. As crianças, os trabalhadores. O bagulho tá sério, filho."

Em áudio encaminhado por um morador ao UOL, uma mulher que está no local diz: "O helicóptero voltou. E o clima tá tenso de novo, filho. Não vem pra cá agora, não."

Operação no Jacarezinho (RJ) deixa dezenas de mortos

Imagens da operação mostraram ao menos dois atiradores armados com fuzis em um helicóptero da Polícia Civil. O uso de aeronaves como plataforma de tiro é criticado por especialistas e um dos pontos questionados na ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) 635, na qual a alta letalidade policial no Rio de Janeiro é debatida.

Durante a ação, a TV Globo mostrou criminosos pulando de laje em laje e invadindo casas de moradores para tentar fugir da polícia.

Denúncia de aliciamento de crianças para o tráfico

A comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Defensoria Pública estão na comunidade. A ação policial, que teve início na manhã de hoje, foi motivada por denúncias de aliciamento de crianças e adolescentes pelo Comando Vermelho, facção criminosa que domina o território.

Esses criminosos exploram práticas como o tráfico de drogas, roubo de cargas, roubos a transeuntes, homicídios e até sequestros de trens da Supervia.

A Operação Exceptis foi deflagrada a partir de denúncias de que criminosos estão expulsando moradores de suas casas. O grupo seria responsável também pelo assassinato de moradores e pelo sumiço dos corpos —21 criminosos foram identificados como os "responsáveis por garantir o domínio territorial da região com utilização de armas de fogo", informou a Polícia Civil.

Passageiros baleados no metrô

No começo da manhã, dois passageiros se feriram dentro de uma composição do metrô na região da estação Triagem em meio ao tiroteio. Um vídeo registrou gritos, choro e pessoas ensanguentadas no chão.

É possível ver um rapaz cobrindo um ferimento na testa. Um outro homem aparece nas imagens com sangue no braço direito, coberto por uma toalha. "Um médico, pelo amor de Deus!", grita uma passageira.

A concessionária do metrô informou que um passageiro foi baleado de raspão no braço e outro foi atingido por estilhaços de vidro.

Os feridos foram identificados como Humberto Duarte, 20, levado para o Souza Aguiar, e Raphael Silva, 33, socorrido no Hospital Salgado Filho. Segundo as unidades, Duarte tem estado de saúde estável, enquanto Silva saiu da unidade mesmo sem alta médica.

O metrô interrompeu a circulação do transporte na região até as 7h40. Já a SuperVia, concessionária responsável pelos trens, informou que suspendeu a circulação entre as estações Central do Brasil e Belford Roxo e também para Gramacho.

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