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Arara 'Julieta' vive amor impossível e visita seu 'Romeu' em zoo no RJ

Uma das araras-canindé do BioParque da Boa Vista, zoológico que recebe as visitas de "Julieta" - Reprodução/Instagram
Uma das araras-canindé do BioParque da Boa Vista, zoológico que recebe as visitas de 'Julieta' Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/05/2021 11h37

Shakespeare escreveu que "aquele que é atingido pelo amor não pode esquecer o tesouro do seu coração". Os dizeres da obra Romeu e Julieta, que conta uma história de amor impossível entre dois jovens, também podem ser aplicados para o dia a dia de uma arara ameaçada de extinção que há duas décadas voa até o BioParque da Boa Vista, no Rio de Janeiro, para visitar o "amor da sua vida" que lá vive em cativeiro, de acordo com a agência AP (Associated Press).

Julieta, batizada assim em homenagem à peça do dramaturgo inglês, é a única arara-canindé livre na natureza que se tem conhecimento no estado. Entretanto, todas as manhãs ela se dirige ao viveiro do BioParque, onde troca carícias com seu "Romeu" através das grades de proteção do cativeiro.

Neiva Guedes, presidente do Instituto Arara Azul, diz que o comportamento da ave apaixonada é comum na espécie. "Eles são pássaros sociais, e isso significa que não gostam de viver sozinhos, seja na natureza ou em cativeiro. Eles precisam de companhia ", disse a ambientalista, que também coordena um projeto que pesquisa araras em meio urbano.

De acordo com a AP, além de Julieta, o último avistamento de uma arara-canindé selvagem no Rio de Janeiro ocorreu em 1818. Há a suspeita de que a "arara apaixonada" tenha chegado ao estado, após escapar de algum cativeiro.

Apesar da alta frequência de visitas da ave ao BioParque e até ao apelido dado a ela, os cuidadores do recinto ainda não conseguiram decifrar o sexo de Julieta e determinar se ela vai ao local para "namorar" apenas uma das aves do viveiro, ou mais de uma delas. Para isso, seria necessário confinar a ave, algo que está fora de cogitação entre os biólogos.

"Não queremos projetar sentimentos humanos. Eu olho para o animal e vejo um animal à vontade", disse a bióloga Angelita Capobianco, à agência. "Ela vem e vai, e suas penas são lindas", acrescentou.

O amor impossível com olhares e carícias apenas através de grades, todavia, um dia pode ser resolvido, entregando para Julieta seu tão esperado "felizes para sempre". Isso porque o BioParque tem como objetivo reintegrar indivíduos da espécie no Parque Nacional da Floresta da Tijuca, onde Julieta também já foi avistada.

O plano é que 20 filhotes nascidos em cativeiro recebam treinamento para aprender a achar alimentos, evitar predadores e desviar de fios elétricos urbanos para se habituarem com a vida selvagem.

Depois de alguns atrasos causados pela pandemia de coronavírus, o projeto de refauna foi reiniciado e espera-se que as araras-canindé sejam reintegradas ao Parque da Tijuca no final de 2022.

Até lá, Julieta deve seguir lidando com o amor impossível e voando até o BioParque para visitar os "tesouros de seu coração".

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