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Perícia relata alteração em locais de morte em ação no Jacarezinho, diz TV

Grafite na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro - Lenon Lins (@lenon.há)
Grafite na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro Imagem: Lenon Lins (@lenon.há)

Do UOL, em Brasília

19/06/2021 14h30

Laudos de perícia relatam alterações em locais onde houve mortes na operação policial na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, ocorrida em 6 de maio deste ano, segundo a TV Globo. Ao todo, 28 pessoas morreram na ação da Polícia Civil, incluindo um policial.

Esses laudos fazem parte de conjunto de documentos para os quais a Polícia Civil pediu sigilo de cinco anos, segundo a TV Globo. Também de acordo com o canal, os peritos encontraram "inúmeros componentes de munição caídos pelo solo" e "perfurações em paredes compatíveis com projéteis de armas de fogo".

Os lugares foram descritos como "zona de forte confronto armado", acrescentou. Em fotos feitas durante a operação, é possível perceber diversos buracos de balas em paredes de casas e, enquanto peritos trabalhavam, ainda se escutavam tiros, apontou a TV.

A perícia foi feita somente em locais com mortes violentas e, em alguns lugares, os cenários foram modificados, o que dificulta as investigações, afirma a perícia, segundo a TV. Um laudo aponta que uma pessoa ferida foi retirada do local analisado possivelmente com movimentação inicial de "arraste", que pode ter modificado perfis de manchas de sangue encontradas pelo caminho. Ainda, componentes de munição podem ter sido deslocados.

Por causa da não preservação do local em questão, o perito não fez análises do posicionamento do atirador, afirmou a reportagem.

À TV Globo, a Polícia Civil afirmou que o socorro prestado vai ser esclarecido durante a investigação e que os laudos da perícia serão comparados com depoimentos e demais provas produzidas.

Os 12 boletins de ocorrência que registram morte por intervenção policial de 27 pessoas em 6 de maio relatam supostos confrontos em nove localidades da favela em um intervalo de seis horas, segundo a versão dos agentes. Moradores denunciam, contudo, mortes arbitrárias por policiais em situações em que as vítimas estariam desarmadas e em fuga, sem trocar tiros com agentes.

Ações coordenadas tiveram início após o policial civil André Leonardo de Mello Frias ter sido atingido por um tiro na cabeça logo no início da operação, às 6h, ao tentar retirar uma das barricadas que travavam o acesso à comunidade.

Segundo a versão contada pelos agentes na DH (Delegacia de Homicídios) da capital, nove incursões pela favela entre 6h e 8h deixaram 17 mortos em pontos próximos uns aos outros, mostrando uma progressão dos agentes pelo território. As outras ocorrências com óbitos foram às 10h, 11h e 12h.

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