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Cotidiano

Aos 82, pai faz primeira tatuagem em homenagem ao filho vítima da covid-19

Andréia Martins

Do UOL, em São Paulo

21/07/2021 12h03

A família de Gerônimo Borges Neto decidiu tatuar uma espécie de bordão usado por ele para homenageá-lo. Aos 59, ele foi mais uma vítima da covid-19 depois de ficar 30 dias internado em um hospital em Rio Branco. Seu pai, Antonio Borges, de 82 anos, não hesitou e foi um dos que tatuou a frase "só alegria" no braço.

"Foi a primeira tatuagem do meu avô, aos 82 anos", contou Munique Bonelli Borges, filha de Gerônimo, ao UOL. No vídeo gravado pela família, Antonio aparece muito emocionado ao explicar o motivo da tatuagem.

Além dele, o irmão de Gerômino, Adão Borges, o filho Murilo Bonelli Borges e a neta, Maria Júlia também tatuaram a frase. O gesto deve ser seguido por outros familiares.

A homenagem veio pouco mais de quatro meses após a morte de Gerônimo. Ele foi diagnosticado com covid-19 no dia no dia 1º de fevereiro. No dia 5, foi internado e dois dias depois, precisou ser entubado.

Gerônimo - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Pai, irmão e filho de Gerônimo fizeram tatuagem em homenagem a ele
Imagem: Arquivo pessoal

"Na época não tinha UTI disponível aqui. Conseguimos a UTI só no dia 9. Ali ele ficou 30 dias lutando. Sempre estável, resistiu a duas bactérias e, na última semana, foi acometido por uma bactéria multirresistente" contou Munique. Gerônimo faleceu no dia 9 de março. "Nós não imaginávamos esse fim, tínhamos certeza que ele sairia da UTI", disse Munique. Ela, a filha e a mãe também tiveram covid no mesmo período.

A tatuagem foi feita pelo mesmo tatuador, Marcio Acre. Murilo, irmão de Munique, já havia tatuado a frase com ele dois dias após a morte do pai. Na semana passada, aproveitando a visita a Rio Branco, os parentes decidiram que também fariam a homenagem.

Seu Antonio, segundo Marcio, foi se cliente mais velho. O tatuador também contou que tatuagens em homenagem aos mortos por covid têm sido cada vez mais frequentes.

"Tenho feito muitos trabalhos assim desde o início da pandemia. Acho que 90% são homenagens aos pais. São muitas histórias, principalmente pelo fato de as vítimas terem tido o desejo de tomar a vacina mas, infelizmente, não conseguiram. Na sessão, são sempre muito emocionantes os relatos de convivência relacionados a memória. Infelizmente ainda terei que fazer alguns trabalhos como esse", contou o tatuador.

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