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Sumiço de crianças: Polícia encontra saco com ossada e cabelo em rio no RJ

Os três meninos desapareceram no dia 27 de dezembro de 2020 em Belford Roxo (RJ) - Imagem: Montagem/UOL
Os três meninos desapareceram no dia 27 de dezembro de 2020 em Belford Roxo (RJ) Imagem: Imagem: Montagem/UOL

Daniele Dutra

Colaboração para o UOL, no Rio

30/07/2021 12h06Atualizada em 30/07/2021 14h04

Agentes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil encontraram hoje em um rio de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, uma ossada e fios de cabelo dentro de um saco plástico —o material será analisado por perícia.

A área foi apontada por um homem como o local de suposta ocultação dos cadáveres de Lucas Matheus da Silva, 8, Alexandre da Silva, 10, e Fernando Henrique Ribeiro Soares, 11, desaparecidos em 27 de dezembro de 2020. Ele disse à polícia que o próprio irmão levou sacos plásticos com os corpos ao local a mando de traficantes.

Entre 10h e 12h15, bombeiros realizaram buscas pelos corpos dos três meninos. O local indicado é chamado de Ponto do Ferro 38, próximo ao rio Botas, em Belford Roxo, que corta a baixada.

"Esses ossos vão para a antropologia do IML [Instituto Médico Legal] para saber primeiro se o osso é humano. Confirmado, eles conseguem identificar se é masculino ou não e a faixa de idade. Após essa etapa será coletado um fragmento do osso e encaminhado para o IPPGF [Instituto de Pesquisas Perícias Genética Forense] para fazer um teste de DNA e ver se é compatível com o padrão dos familiares", explicou a perita criminal Denise Rivera.

Mais cedo, a avó de dois dos três meninos disse ao jornal O Globo não acreditar na versão. Para Silvia Regina, eles "estão vivos" e a versão seria para "despistar". A família não acompanhou presencialmente as buscas no rio.

Fontes relataram ao UOL que o homem procurou o 39º Batalhão da Polícia Militar e disse que o irmão dele, José Carlos dos Prazeres Silva, conhecido como Piranha, ajudou na suposta ocultação dos corpos.

Suspeita sobre traficantes ganha força, diz defensora

Em nota, a Polícia Civil informou que, após a declaração, Silva foi detido pela PM e os dois foram ouvidos por agentes da DHBF. A DHBF chegou a pedir a prisão temporária do suspeito denunciado pelo irmão, mas o Tribunal de Justiça do Rio negou e os dois foram liberados.

O suspeito teria contado ao irmão que a missão de jogar os sacos no rio foi dada por homens do tráfico na região. O objetivo era ajudar a sumir com os corpos das três crianças. À polícia, ele disse não ter culpa de nada, mas confirmou que jogou os sacos no rio a pedido do tráfico sem saber o que havia dentro.

José Carlos dos Prazeres Silva tem duas passagens pela polícia, por tráfico e furto. As investigações sobre o suposto envolvimento dele e de traficantes nos desaparecimentos continuam.

"Isso só reforça o entendimento inicial do delegado sobre o envolvimento do tráfico no desaparecimento dos meninos e corrobora o que vinha sendo dito sobre o motivo, que seria o furto de um passarinho de um dos traficantes da comunidade pelos meninos", disse a defensora Gislaine Kepe, do núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio.

Lucas, Alexandre e Fernando foram vistos pela última na feira de Areia Branca, que fica a 3 km da comunidade do Castelar, onde viviam com a família. Até o momento, a polícia encontrou uma única imagem de câmeras de segurança, que mostram os três caminhando no dia do desaparecimento.

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