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Morte de morador de rua é 17ª por suspeita de hipotermia em SP

30.jul.2021 - Cidade de São Paulo tem registrado temperaturas baixas na semana - ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
30.jul.2021 - Cidade de São Paulo tem registrado temperaturas baixas na semana Imagem: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

31/07/2021 14h53

A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte de um morador de rua na República, no centro de São Paulo. O homem foi encontrado às 7h10 por guardas civis metropolitanos, após denúncia de pedestres.

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências da capital, os termômetros da cidade chegaram a bater 5° C na madrugada, com média de 6° C pela manhã.

Robson Mendonça, presidente do MEPSRSP (Movimento Estadual da População em Situação de Rua em São Paulo), afirma que o homem encontrado nesta manhã é a 17ª pessoa em situação de rua morta por suspeita de hipotermia desde o fim de junho.

"Não temos maiores informações, mas a guarda civil metropolitana diz que tinha todos os sinais de hipotermia, estava enrijecido e arroxeado", disse Mendonça ao UOL.

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) afirma que a identidade do homem é desconhecida. Após os guardas confirmarem que ele estava imóvel, o Samu foi acionado e confirmou a morte. Foram solicitados exames ao IML (Instituto Médico-Legal) e o caso foi inicialmente registrado no 2º DP (Campos Elíseos).

O boletim de ocorrência registra que ele tinha um hematoma no rosto, mas as investigações do 3º DP (Campos Elíseos) irão apurar se o ferimento tem relação com a morte. A nota não confirma se há suspeita de hipotermia.

A orientação da Prefeitura de São Paulo é que a população ligue 156 caso encontre uma pessoa em situação de rua.

Campanha por mais equipamentos públicos no frio

A Defesa Civil da capital mantém alerta para baixas temperaturas há mais de um mês, desde 28 de junho. A partir dessa data, Robson Mendonça e o MEPSRSP passaram a contabilizar pessoas em situação de rua que foram encontradas mortas pela manhã ou na madrugada, horários em que as temperaturas já baixas, despencam.

Para evitar outras ocorrências, o movimento faz uma petição online para que o governador João Doria (PSDB) e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), priorizem políticas públicas de assistência a essa parcela da população.

Eles pedem melhorias nos equipamentos públicos, como os albergues, implementação do programa Bom Prato Municipal, abertura de equipamentos ou prédios públicos durante a baixa temperatura e outros itens.

"Precisamos de elementos para proteger essas pessoas, uma política para que eles parem de morrer todo inverno", diz Mendonça.

Enquanto isso, o movimento faz suas próprias doações. De acordo com Mendonça, hoje estão sendo distribuídos kits de alimentos, além de capas térmicas e de chuva, agasalhos e barracas.

Na última quarta-feira, Doria confirmou o início do programa Noites Solidárias, que permite que pessoas em situação de rua sejam acolhidas e alimentadas. A ação vai até amanhã. Já Nunes afirmou que cinco tendas estão montadas em locais em que há presença da população em situação de rua e que 5 mil pratos de sopa serão distribuídos pela prefeitura, além de chocolate quente.

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