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Júri absolve sargento da PM acusado de matar adolescente negro em SP

Guilherme Silva Guedes foi morto em junho do ano passado - Arquivo Pessoal
Guilherme Silva Guedes foi morto em junho do ano passado Imagem: Arquivo Pessoal

Do UOL, em São Paulo

14/10/2021 09h55

Por decisão da maioria do júri, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) absolveu o sargento da PM (Polícia Militar) Adriano Fernandes de Campos da acusação de ter assassinado o adolescente negro Guilherme Silva Guedes, de 15 anos. O sargento, preso preventivamente desde agosto, será solto.

Guedes foi morto, em junho de 2020, com um tiro na nuca e outro no rosto após ter sido sequestrado. Guilherme morava com a avó e estava em frente à casa dela quando foi rendido por dois homens.

"Em consequência da vontade soberana dos senhores jurados, declaro absolvido o réu", diz a sentença, proferida no final da noite de ontem pelo juiz Luis Gustavo Esteves Ferreira. No documento, o magistrado já determinou a libertação do sargento.

Também acusado pelo crime, o ex-PM Gilberto Eric Rodrigues ainda não foi julgado. Rodrigues é suspeito de ter participado de mais de 70 homicídios. Campos e Rodrigues foram acusados pelo MP (Ministério Público) de homicídio qualificado por motivo torpe e emprego de meio cruel, que impossibilitou a defesa da vítima.

Adriano Fernandes de Campos, suspeito de matar Guilherme Silva Guedes - UOL - UOL
Adriano Fernandes de Campos, réu pela morte de Guilherme Silva Guedes, foi absovido por júri popular
Imagem: UOL

Sequestro

Segundo a investigação da Polícia Civil, Guilherme foi sequestrado próximo de sua casa e levado para um local na divisa de São Paulo com Diadema, onde seu corpo foi abandonado. Ele foi morto a tiros e, antes, foi atingido por um tiro não letal na boca.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2020 (levantamento mais recente feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados do ano de 2019), 74,4% das vítimas de homicídio no Brasil eram pessoas negras. Entre as pessoas mortas por policiais, 79,1% são pessoas negras. Na esfera do poder público, não existe uma divulgação transparente de dados oficiais nacionais sobre homicídios ou sobre mortes provocadas por policiais em todo o Brasil. O governo brasileiro também não disponibiliza dados nacionais sobre as investigações e punições de homicídios.

Foi decisiva para o caso a investigação feita pela família, que localizou um vídeo em que Campos e Rodrigues aparecem perto de uma viela na Vila Clara, local onde Guilherme foi visto pela última vez com vida.

Durante o interrogatório do acusado, em janeiro, a defesa de Campos admitiu que é o sargento que aparece no vídeo, mas que o policial nega participação no crime. "É ele no vídeo, mas ele não abordou Guilherme", disse o advogado Mauro Ribas, que, com Renato Soares, defende o policial.

O sargento é sócio de uma empresa de zeladoria que era responsável, na prática, pela segurança de um terreno da empreiteira Globalsan, conhecido na Vila Clara, como "terreno da Sabesp". O terreno é vizinho a um atacadista, onde moradores do bairro pegavam comida jogada fora por ter perdido a validade, segundo o UOL apurou.

Segundo a defesa de Campos, furtos eram praticados no terreno. Mas os advogados dizem que Guilherme não teria participação nesses crimes.

À época, o caso de Guilherme provocou profunda indignação na Vila Clara, bairro pobre na região do Jabaquara. Apesar dos apelos da família para que não houvesse violência, moradores realizaram protestos em que houve depredação de ônibus. A PM reprimiu a manifestação com balas de borracha e gás lacrimogêneo.

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