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Conteúdo publicado há
1 mês

Jovem morre em desabamento de prédio em Nilópolis (RJ); três são resgatados

Igor Mello e Thaís Augusto

Do UOL, no Rio e em São Paulo

24/10/2021 08h16Atualizada em 24/10/2021 15h27

Um jovem de 26 anos morreu após o desabamento de um prédio na manhã de hoje (24) no bairro Olinda, em Nilópolis, na região da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Três pessoas ficaram feridas no acidente.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as três pessoas resgatadas com vida foram levadas para o Hospital Geral de Nova Iguaçu. A Prefeitura de Nilópolis identificou o homem morto como Gustavo Loureiro Amorim, 26 anos. Os sobreviventes são Giovana Amorim, 19 anos, Nircéa Vital de Souza, 60 anos, e Jorge Luiz dos Santos Brandão, 54 anos.

Nircéa é a única paciente que segue internada: "Ela sofreu trauma na cabeça, tórax e abdômen, fez exame de tomografia e segue recebendo assistência médica. O estado de saúde é considerado grave", informa a Prefeitura de Nova Iguaçu, que controla o hospital.

Mesmo após receberem informações de vizinhos que apenas quatro pessoas moravam no local, o Corpo de Bombeiros fez buscas com cães farejadores em busca de mais vítimas.

"Conversamos com vizinhos e com as vítimas removidas e eles dizem que eram só quatro pessoas no prédio e um cachorro, mas o protocolo é somente encerrar as buscas após a varredura com cães", afirmou o coronel Leandro Monteiro, secretário de estado da Defesa Civil do Rio, em entrevista à GloboNews.

Bombeiros do quartel de Nilópolis foram acionados para atender a ocorrência às 6h45. O imóvel ficava na rua Coronel José Munhoz, na esquina com a estrada Nilo Peçanha.

Nas redes sociais, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), lamentou a morte de Gustavo e prestou solidariedade às vítimas do acidente. "Determinei que a estrutura do Estado esteja à disposição dos familiares, principalmente aos parentes do jovem que perdeu a vida no desabamento", escreveu.

Sobrevivente relata problema em coluna do prédio

Em entrevista ao UOL, um dos sobreviventes revelou que uma coluna do edifício havia apresentado um problema grave na semana anterior.

"Dentro da garagem existiam dez colunas, mas desde a semana passada ouvimos um barulho e vimos a coluna aparecendo o ferro, caída no chão. Tiramos foto para mandar para a proprietária, mas não deu tempo de resolver"

Jorge Luiz dos Santos Brandão, sobrevivente do desabamento

Brandão morava no prédio há pouco mais de um ano, quando foi viver com Nilcéa Vital de Souza. A companheira dele já vivia no apartamento do terceiro andar há cerca de 15 anos. Ele sofreu apenas um corte no nariz, mas a mulher segue hospitalizada. Segundo ele, ela sofreu escoriações pelo corpo.

Ainda segundo Brandão, os moradores não imaginavam que uma tragédia desse porte pudesse acontecer no local.

"Não era aquilo, de desespero. Depois de uns três dias, falei que tinha que chamar a Defesa Civil para dar uma olhada. Mas eram dez colunas, só tinha problema [visível] em uma. Mas como as outras colunas são todas chapiscadas com aquele chapisco grosso e não morava quando foi feito [não sei o estado das outras]".

De acordo com Brandão, a tragédia poderia ter sido ainda mais grave, já que havia a previsão de que uma família se mudasse para o apartamento no segundo andar, que estava vazio, na próxima semana. Ele disse que a família havia perdido todos os pertences e tinha dois carros na garagem. Contudo, disse que lamentava apenas pela morte de Gustavo.

"Só estou lamentando mesmo pelo meu amigo do primeiro andar, que soube agora que veio a falecer. Foi a grande perda que tivemos. Um rapaz jovem, cheio de vida pela frente", disse.

Vizinho do prédio, o comerciante Robson Erbe da Costa, 66 anos, conta que os moradores da região ficaram assutados com o estrondo do desabamento.

"O pessoal ficou apavorado, foi como se fosse uma explosão. Foi todo mundo para a rua ver, só se via poeira no alto. Depois que a poeira caiu que a gente foi socorrer o pessoal. O primeiro socorro já foi feito pelos bombeiros, que chegaram rápido", contou ele.

O vizinho também relata a existência de rachaduras no prédio. "O prédio já tinha umas rachaduras há anos. Foi avisado, mas não tomaram nenhuma providência", lembrou o comerciante.

Construção era regular, diz prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Nilópolis afirmou que o edifício estava legalizado junto ao município. As causas do desabamento serão investigadas.

"A Prefeitura de Nilópolis informa que o prédio que desabou na Rua Coronel José Muniz, 808, em OIinda, existe há 22 anos e estava legalizado junto à Secretaria de Obras. O secretário Flávio Vergueiro garantiu que, além das perícias que serão realizadas pela Polícia Civil e pelo Corpo de Bombeiros, a Prefeitura também fará uma investigação sobre as causas do acidente", afirmou o município.

A Polícia Civil também afirmou que irá investigar o motivo do desabamento. A apuração ficará a cargo da 57ª DP (Nilópolis). "A 57ª DP (Nilópolis) instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do desabamento de um prédio no bairro Olinda, em Nilópolis. Equipes da delegacia estão no local para identificar testemunhas e vítimas. A perícia será realizada após o término do trabalho do Corpo de Bombeiros".

O secretário de Defesa Civil de Nilópolis, Flávio Vergueiro, esteve no local e afirmou que uma primeira análise descartou danos estruturais nos imóveis vizinhos ao prédio que desabou.

"Graças a Deus os prédios vizinhos estão ok. Superficialmente a gente avaliou e nenhuma aparenta risco. O prédio tombou para o lado direito", disse ele em entrevista à CNN.

O desabamento prejudica o transporte público da região. Nas redes sociais, a empresa Transportes Flores informou aos passageiros sobre a alteração de rota de uma de suas linhas de ônibus.

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