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Salgueiro: Laudos descartam facada; PMs entregam armas para exame balístico

22.nov.2021 - Corpos achados por moradores no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ) - Marcos Porto/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
22.nov.2021 - Corpos achados por moradores no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ) Imagem: Marcos Porto/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

24/11/2021 17h28Atualizada em 24/11/2021 18h41

Os laudos de necropsia dos nove mortos no último fim de semana no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), apontam que todos foram vítimas de armas de fogo. Os documentos afirmam que não há sinal de facadas ou ferimentos por outros objetos. O esfaqueamento era a principal denúncia de tortura por parte de moradores, possibilidade agora afastada.

As informações foram divulgadas pela Polícia Civil na tarde de hoje. Também nesta quarta (24), oito policiais militares que afirmaram ter atirado na ação entregaram fuzis.

Relatos de moradores apontam que os homens foram assassinados na comunidade das Palmeiras, no complexo, no fim da tarde de domingo (21), após ação do Bope, mas a Defesa Civil e a Polícia Civil só chegaram a perícia no local por volta das 11h da segunda (22), após moradores retirarem oito corpos do mangue.

O nono homem foi morto algumas horas antes, durante o dia de domingo, em um confronto numa ação para identificar os responsáveis pela morte do sargento.

No sábado (20), o sargento Leandro Rumbelsperger da Silva foi ferido por arma de fogo e não resistiu.

Confronto balístico

Hoje, o UOL revelou que 75 agentes do Bope estiveram na comunidade no fim de semana. No final da tarde de hoje, a Polícia Civil recebeu da PM oito fuzis, um para cada militar que disse ter atirado durante ação. São quatro Colt calibre 556 e quatro Ar-10 calibre 762, de acordo com a corporação.

As armas serão usadas para confronto balístico, parte fundamental da investigação. O exame será possível porque três dos corpos têm balas alojadas no corpo, o que permite a extração e comparação com os projéteis dos policiais envolvidos na ação. Os laudos de necropsia foram produzidos no IML (Instituto Médico-Legal) da mesma cidade.

Além da análise dos laudos, a DHNSG (Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí) continua as investigações para apurar as circunstâncias das mortes. De acordo com a especializada, testemunhas estão sendo ouvidas.

Ação contou com 75 policiais do Bope

O documento interno da Polícia Militar que registra a presença de 75 policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) no Complexo do Salgueiro é assinado pelo major Carlos Eduardo da Silveira Monteiro e foi remetido do Bope para o COE (Comando das Operações Especiais), que autorizou a operação.

De acordo com o relatório, o objetivo da operação era "reprimir ações de ataque às viaturas". O Bope justifica que tornou-se "imperiosa a atuação" para "restabelecer a ordem na área conflagrada", com objetivo de identificar e prender os responsáveis pela morte de Silva e, eventualmente, retirar da comunidade policiais que permaneceram ali após o ataque.

Após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), as forças de segurança do Rio de Janeiro têm obrigação de justificar as operações policiais em comunidades, que estão permitidas em casos excepcionais.

Na avaliação da defensora pública do Rio de Janeiro, Maria Júlia Miranda, a ação no Complexo do Salgueiro foi uma "operação vingança" em retaliação à morte do PM no dia anterior. O MP já instaurou processo investigatório sobre as mortes.

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