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Entidades planejam audiência pública para discutir chacina do Salgueiro

22.nov.2021 - Policiais civis e militares auxiliam trabalho da perícia após corpos serem encontrados em mangue no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ) - MARCOS PORTO/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
22.nov.2021 - Policiais civis e militares auxiliam trabalho da perícia após corpos serem encontrados em mangue no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ) Imagem: MARCOS PORTO/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

25/11/2021 19h01Atualizada em 25/11/2021 19h06

Um grupo de entidades, organizações e comissões de direitos humanos planeja uma audiência pública para discutir a chacina do último fim de semana no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), que vitimou nove civis no domingo (21). O objetivo da audiência é ouvir representantes desses grupos, ativistas contra a violência policial de todo o estado do Rio de Janeiro e lideranças comunitárias sobre a escalada de violência dentro da comunidade.

A decisão de uma audiência pública foi tomada em reunião na tarde de hoje, com representantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, da Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), de mandatos de vereadores de esquerda da Câmara Municipal de Niterói e da ouvidoria da Defensoria Pública do Rio de Janeiro.

Apesar da reunião inicial com esses representantes, a intenção é convidar outras instituições de direitos humanos. Os próximos dias serão de contato e convite a essas entidades, já que a previsão é que a audiência pública aconteça em dezembro.

A ação do Bope (Batalhão de Operações Especiais) que terminou com a morte de nove civis no Complexo do Salgueiro aconteceu após a morte do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, no sábado (20). Um documento interno da Polícia Militar aponta que 75 agentes estiveram na comunidade entre sábado e domingo (21).

O objetivo da audiência pública é discutir a legitimidade da ação da polícia, e ouvir relatos sobre o fim de semana. Há um receio que familiares e testemunhas compareçam presencialmente, pela possibilidade de retaliação, então os depoimentos podem ser levados e lidos pelas entidades. Ainda não há definição sobre isso.

A reunião para discutir a realização da audiência relembrou relatos de moradores sobre a ação do fim de semana e o medo que moradores do Complexo do Salgueiro ainda enfrentam, dias após a chacina.

Laudos apontam mortes a tiros

Os laudos de necropsia dos nove civis mortos apontam que todos foram vítimas de armas de fogo. Os documentos afirmam que não há sinal de facadas ou ferimentos por outros objetos. O esfaqueamento era a principal denúncia de tortura por parte de moradores, possibilidade agora afastada.

O relatório internado divulgado pelo UOL afirma que objetivo da operação era "reprimir ações de ataque às viaturas". A PM, em nota, afirma que a equipe em que ele estava foi atacada ao chegar na comunidade. A morte de Silva foi utilizada para justificar a "absoluta excepcionalidade da operação", no documento.

No final da tarde de ontem, a Polícia Civil recebeu da PM oito fuzis, um para cada militar que disse ter atirado durante ação. São quatro Colt calibre 556 e quatro Ar-10 calibre 762, de acordo com a corporação. As armas serão usadas para confronto balístico, parte fundamental da investigação.

O exame será possível porque três dos corpos têm balas alojadas no corpo, o que permite a extração e comparação com os projéteis dos policiais envolvidos na ação.

A audiência pública pretende levar, até a data a ser definida, todos os elementos possíveis da investigação, com objetivo de observar onde pode haver melhoria e evitar que o Salgueiro passe por situações de letalidade policial no futuro.

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