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1 mês

RJ: Vendedor de doces morre após levar tiro de PM em briga em frente a bar

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

08/12/2021 15h27Atualizada em 08/12/2021 16h06

Um vendedor de doces morreu ontem, após ter sido baleado por um policial militar, em Campo Grande, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. Wilson Viana Almeida, de 55 anos, foi ferido no pescoço durante uma confusão entre o PM e seguranças de um bar na região, no domingo (6). A confusão foi registrada por câmeras de segurança do local.

Testemunhas relataram que a discussão entre eles começou após policial, que não foi identificado pela corporação - e, portanto, não pôde ter sua defesa consultada -, ser impedido de entrar armado no local.

Nas imagens das câmeras de segurança é possível ver uma briga generalizada na frente do estabelecimento. O policial militar, de blusa preta, aparece com outros amigos discutindo com um homem identificado como supervisor dos seguranças. Ele usa uma blusa branca e preta.

No desentendimento, todos entram em luta corporal, e o PM acaba sendo imobilizado, mas consegue se soltar em seguida.

tiro - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Wilson Viana (à direita), de 55 anos, foi ferido durante confusão entre PM e seguranças; ele foi socorrido, mas não resistiu
Imagem: Reprodução/Instagram

Posteriormente, ele atira na perna do supervisor dos seguranças. Na confusão, o vendedor também foi baleado no pescoço. Ao todo, três pessoas ficaram feridas. Todas foram encaminhadas para o Hospital Municipal Rocha Faria.

Segundo a SMS (Secretaria Municipal de Saúde), o vendedor de doces chegou a ser operado, mas não resistiu ao ferimento e morreu ontem.

'Saiu para trabalhar e não voltou mais'

Ana Midiã, uma das filhas do baleiro, afirmou ao UOL que o pai demorou a ser socorrido. Segundo ela, houve mais de uma hora de espera. Para a família, esse tempo pode ter agravado o quadro de saúde do vendedor.

A gente ficou esperando muito, desde quando contaram para gente até o socorro chegar foi mais de uma hora. Alguém podia ter socorrido ele, achei que alguém pudesse levá-lo para o hospital, mas não. Ficaram esperando a ambulância.

Ana contou que o pai nasceu na Bahia, mas veio para o Rio de Janeiro ainda criança. Ela descreveu Wilson como uma pessoa esforçada e que virava a noite trabalhando para não deixar faltar nada para os filhos.

Sempre fazia de tudo pela gente, trabalhava dobrado para oferecer de tudo. Se ele pudesse tirar do corpo para dar para outras pessoas, ele fazia. Ele ajudava, fazia o máximo para ajudar quem pudesse.

Emocionada, ela disse que o pai "saiu para trabalhar e não voltou mais".

Wilson deixa seis filhos.

Investigação e prisão

De acordo com a Polícia Civil do Rio, o caso foi registrado como homicídio e o policial militar foi preso em flagrante pelo crime.

"As investigações continuam para esclarecer todos os fatos", informou a corporação, em nota.

Procurada pela reportagem, a Polícia Militar disse que foi "acionada para a Estrada Guandú do Sapé para uma ocorrência com arma de fogo" e que chegando no local conduziu o PM de folga para a delegacia de Campo Grande (35ª DP).

"A 2ª Delegacia de Polícia Judiciária acompanha o caso", informou a corporação.

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