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Cotidiano

Chuvas transbordam rios e deixam centenas de desabrigados no Maranhão

Rafael Souza

Colaboração para o UOL, em São Luís (MA)

04/01/2022 20h30

Assim como a Bahia, o Maranhão sofre com as consequências de fortes chuvas, que atingem o estado desde o final de dezembro. A prefeitura de Mirador decretou estado de calamidade pública. De acordo com o governo estadual, três municípios declararam situação de emergência (Barra do Corda, Jatobá e Grajaú) e a expectativa é que outros façam o mesmo a qualquer momento. Não há registros de mortes no estado.

Mirador, localizada no sudoeste do estado, enfrentou o que, segundo a prefeitura, é a maior cheia do rio Itapecuru em toda a história. Segundo a Defesa Civil, no rio Itapecuru a elevação foi de oito metros.

As enchentes deixaram a cidade de cerca de 20 mil habitantes isolada. Pontes caíram e estradas cederam. Até o prédio da Câmara Municipal de Mirador foi atingido pela inundação.

Ao todo, mais de 6 mil pessoas foram afetadas e muitas foram obrigadas a retirar os seus pertences de casa de última hora. A prefeita Domingas Cabral (Republicanos) decretou estado de calamidade pública.

A Defesa Civil emitiu alerta aos municípios de Itapecuru-Mirim, Coroatá, Pirapemas, Cantanhede, Santa Rita e Rosário para a aplicação de planos de contingência nas áreas de risco.

Outras regiões

Na região central do estado, já existe um plano de ação montado pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Militar devido à tendência de elevação de 4,82 metros do rio Mearim. As cidades de Trizidela do Vale e Pedreiras estão em estado de alerta.

Já no sudoeste do Maranhão, é a cheia do rio Tocantins que preocupa, pois houve uma elevação de mais de nove metros. Na segunda maior cidade do estado, Imperatriz, mais de 250 famílias estão desabrigadas, segundo o governo.

A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros em Imperatriz ainda trabalham para resgatar e deslocar as pessoas atingidas para abrigos improvisados, como escolas e igrejas. Até o momento, não há confirmação de mortos.

Em Grajaú, a água invadiu ruas e avenidas, fazendo dezenas de famílias deixaram suas casas.

Na mesma região, em Governador Edison Lobão, uma erosão na pista interditou completamente a BR-010, ontem. Até o início da noite de hoje, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ainda não tinha concluído o conserto do pavimento.

Plano de emergência

O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil criaram uma sala de situação para monitorar as regiões e mobilizar recursos humanos e materiais para atendimento da população afetada. O governo está ofertando medicamentos, alimentação e monitorando da elevação do nível dos principais rios, por meio das coordenadorias de Defesa Civil, municipais e unidades operacionais.

"No caso de Mirador, preocupa porque estamos o começo do período chuvoso e uma grande elevação do rio. Moradores antigos dizem que nunca viram algo semelhante e a gente comprova que é verdade. Vimos que casas antigas ruíram só agora. Nesse momento, estamos reforçando as equipes em todo o estado e vamos permanecer com equipes enquanto durarem as chuvas. Queremos evitar a perda de vidas", afirmou ao UOL o comandante do Corpo de Bombeiros do Maranhão, coronel Célio Roberto.

Para os próximos dias, a previsão ainda é de fortes chuvas em todo o Maranhão. Pela manhã, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu um alerta de precipitação e ventos intensos para todo o estado até a manhã desta quarta-feira (5). Há risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

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