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Caso Henry: Advogado de goleiro Bruno assume defesa de Jairinho

Jairinho depõe à Justiça no dia 9 de fevereiro - Brunno Dantas/TJ-RJ
Jairinho depõe à Justiça no dia 9 de fevereiro Imagem: Brunno Dantas/TJ-RJ

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

25/01/2022 19h15

O ex-vereador Dr. Jairinho, acusado de ter matado o menino Henry Borel, escolheu seus novos advogados no processo criminal. Entre eles, está Lúcio Adolfo da Silva, que defendeu o goleiro Bruno Fernandes no processo em que ele foi condenado pelo homicídio de Eliza Samudio.

A troca acontece a menos de 20 dias do interrogatório do réu na Justiça. A saída do escritório do advogado Braz Sant'anna, no dia 21, aconteceu em meio a um atrito entre defensores que começou com uma visita da advogada Flávia Fróes — ligada a Jairinho, mas que não o representa no processo criminal — a Monique Medeiros na cadeia.

Foi nessa visita que a mãe de Henry, também ré no mesmo processo, relatou ter sido ameaçada e coagida por Flávia a assumir a culpa pela morte do filho. A advogada nega.

Além de Lúcio Adolfo da Silva, compõe a nova defesa de Jairinho o advogado Telmo Bernardo Batista.

Defesa abandonou caso após denúncias de ameaças

O imbróglio da antiga defesa de Jairinho com Flávia começou quando Monique relatou a seus advogados que fora ameaçada pela advogada, contratada pela família de Jairinho para fazer uma "investigação defensiva", a assumir a culpa pela morte de Henry.

Após a revelação do relato pelo UOL, Braz, então advogado de Jairinho, divulgou uma carta de repúdio manifestando "indignação" com a visita, que chamou de antiética. Duas semanas depois, o advogado e sua equipe abandonaram o processo sob a justificativa de "foro íntimo".

A visita de Flávia a Monique gerou um conflito também com a defesa da pedagoga. A advogada abriu uma queixa-crime por calúnia contra Thiago Minagé e Hugo Novais, advogados de Monique, na 23ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Ao UOL, Flávia diz crer que o relato da ameaça se deu para que a defesa de Monique obtivesse "vantagem" no processo criminal. "Eles não tinham nenhum fato novo para justificar a renovação do pleito de liberdade, criaram fatos falsos para servir de fundamento", diz.

MP é contra Monique ficar presa em casa

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) se posicionou contra pedido de prisão domiciliar feito pela defesa de Monique —a mãe de Henry Borel se encontra presa no Instituto Penal Santo Expedito em Bangu, zona oeste do Rio.

O pedido foi baseado nas supostas ameaças sofridas pela pedagoga na cadeia.

O promotor Fábio Vieira dos Santos afirmou que não há "fundamento legal" para que Monique fique presa em casa, já que está saudável, não é idosa, mãe de criança menor que 12 anos ou gestante.

Vieira completou que é possível garantir a segurança de Monique de outra forma, como isolando-a de outras detentas e permitindo visitas somente de cadastrados.

O promotor também se opôs ao desmembramento do processo para que os dados de Monique fiquem sob sigilo, como pediram os advogados dela, sob o mesmo argumento de "ausência de fundamento legal".

"Os motivos que justificariam a decretação ou não do segredo de justiça não mudariam com o desmembramento", afirma o MP-RJ.

Vieira não se opôs contudo a colocar em sigilo futuras informações pessoais de Monique. Agora, após ouvir o posicionamento da promotoria, a juíza Elizabeth Louro, da 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, decidirá sobre o pedido de Monique sobre a prisão domiciliar e desmembramento do processo.

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