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Secretário: Falha humana, e não tatuzão, pode ter causado acidente do Metrô

Lucas Borges Teixeira e Ed Wanderley

Do UOL, em São Paulo

01/02/2022 13h50Atualizada em 02/02/2022 09h55

Em entrevista coletiva, o secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Paulo Galli, confirmou que, antes do desmoronamento que gerou uma cratera às margens da Marginal Tietê no canteiro de obras da Linha 6-Laranja do Metrô, houve um vazamento na adutora de esgoto que passa pelo local. Ele acredita que o incidente não foi provocado pelo tatuzão e que não descarta que o desmoronamento seja resultado de falha humana. Quatro trabalhadores foram socorridos para avaliação, após contato com a água, mas ninguém se feriu na ocorrência.

Segundo Galli, a região está estável e o túnel não foi danificado, mas ainda não há previsão de retomada da obra, que já atrasou oito anos do previsto, porque ainda é preciso tirar todo o esgoto do local. A suspeita inicial, de que o acidente tenha sido provocado pela escavadora tatuzão, ainda será investigada, segundo a STM. A possibilidade, no entanto, foi colocada em xeque pelo secretário.

"Amanhã teriam o tatuzão passando pelo túnel e, aí, houve um rompimento da galeria de esgoto que passa no sentido transversal ao túnel. O início de vazamento foi às 8h21 e todos os funcionários foram removidos", afirmou Galli, informando que a máquina passava a três metros de profundidade da galeria onde houve o rompimento. "Então não foi um choque da toneladora", disse, acrescentando que o problema possa ter sido resultado de falha humana.

O desmoronamento no "poço de ventilação" das obras da linha 6-Laranja, por volta das 9h, levou à interdição de trecho da Marginal Tietê, na manhã de hoje, no sentido Ayrton Senna, entre as pontes do Piqueri e da Freguesia do Ó.

Imagens aéreas mostraram uma cratera que se formou na lateral da pista, com pedaços de asfalto cedendo e uma caixa d'água sendo engolida. Funcionários relataram ouvir um "estrondo" na parte mais baixa da escavação, quando supostamente a água rompeu a estrutura e os presentes começaram a correr. Segundo relatos, não havia mais ninguém na área quando houve o desabamento da pista.

Questionada sobre as possíveis causas do desabamento, a STM afirmou que criou um comitê para investigar as causas do acidente e disse que "fará estudos com soluções técnicas para a realização de obras de drenagem, recuperação para a retomada das obras do Metrô, conserto da tubulação e da Marginal Tietê".

"A tubulação, chamada Interceptor de Esgotos (ITI-7), é responsável por encaminhar o esgoto coletado para tratamento na ETE Barueri. Técnicos da Companhia trabalham no momento para desviar o esgoto para outros interceptores", diz trecho da nota emitida pelo órgão.

A linha 6-Laranja faz parte de uma Parceria Público Privada entre o governo do estado e a concessionária espanhola Acciona e deve ter 15 km, ligando a Vila Brasilândia à estação São Joaquim. Sobre possíveis atrasos na conclusão da obra, decorrentes do acidente, o secretário Paulo Galli diz não poder estimar.

Posso dizer da retomada do contrato de cinco anos, que a gente fez no ano passado. Obviamente é uma obra de impacto, a gente ainda não consegue dizer hoje quanto tempo vai levar para consertar, mas a gente quer pressionar a construtora para que seja mantido o prazo. Para isso, a gente vai ter que solucionar. Vamos prestar mais informações no decorrer.
Paulo Galli, secretário de transportes metropolitanos de São Paulo

Em entrevista ao UOL News, o ex-presidente do órgão gestor do Metrô de São Paulo Sérgio Avelleda afirma ser pouco provável que o furo em uma adutora tenha causado o desmoronamento. "As adutoras estão cadastradas (em sistemas oficiais, do Estado). Quando você vai fazer o projeto, você sabe onde elas estão. Me parece improvável que a obra não sabia da existência de uma rede de esgoto ou de uma adutora de água desse calibre", avaliou.

Procurada a Acciona afirma que equipes próprias, da Linha Uni e técnicos estão no local para apurar as circunstâncias do incidente e que as medidas de contingência foram tomadas.

"Em caso de dúvidas, a população pode entrar em contato com a Central de Atendimento da Linha Uni, concessionária responsável pela obra, pelo telefone 0800 580 3172, de segunda a sexta das 8h30 às 17h30 ou por meio da página https://www.linhauni.com.br/contato."

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