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MP faz operação contra rede de bingos de Rogério de Andrade e Ronnie Lessa

Operação do MP-RJ mira rede de jogos de azar - Divulgação/MP-RJ
Operação do MP-RJ mira rede de jogos de azar Imagem: Divulgação/MP-RJ

Do UOL, em São Paulo

10/05/2022 07h59Atualizada em 10/05/2022 15h51

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) iniciou hoje uma operação que mira uma rede de jogos de azar liderada pelo contraventor Rogério de Andrade, sobrinho do bicheiro Castor de Andrade, e que tem como um dos integrantes o ex-policial militar Ronnie Lessa, réu pela morte da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

A força-tarefa, batizada de Operação Calígula, cumpre 29 mandados de prisão e 119 de busca e apreensão, incluindo quatro bingos comandados pelo grupo, que inclui também Gustavo de Andrade, filho de Rogério de Andrade, e dezenas de outros criminosos.

Segundo o MP-RJ, 30 pessoas foram alvos de denúncias pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O balanço mais recente dos resultados da operação confirmou onze prisões, além da apreensão de oito aparelhos de celular, um notebook, um HD e um pen drive. Uma quantia de cerca de R$ 1,8 milhão também foi encontrada na casa da ex-delegada da Polícia Civil Adriana Belém. O dinheiro estava guardado em sacos de grifes de luxo e em uma mala.

De acordo com as denúncias oferecidas pelo MP-RJ, Rogério de Andrade e Gustavo de Andrade comandam uma estrutura criminosa organizada, voltada à exploração de jogos de azar não apenas no Rio de Janeiro, mas em diversos outros estados.

A procuradoria afirma que o grupo criminoso exerce o domínio de diversas localidades há décadas, explorando a "habitual e permanente" corrupção de agentes públicos e o emprego de violência contra concorrentes e desafetos. A organização, ainda segundo o MP-RJ, é suspeita da prática de inúmeros homicídios.

Os promotores afirmam também que a organização estabeleceu acertos de corrupção estáveis com agentes públicos integrantes de diversas esferas do estado, principalmente ligados à Segurança Pública. Esses acertos teriam sido feitos tanto com agentes da Polícia Civil quanto da Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro.

Nesta esfera, integrantes da organização que eram membros da Polícia Civil, mantinham contatos permanentes com outros policiais corruptos, pactuando o pagamento de propinas em contrapartida ao favorecimento dos interesses do grupo liderado por Rogério de Andrade, diz o MP-RJ.

Segundo a denúncia, os oficiais da Polícia Militar, por sua vez, serviam de elo entre a organização e Batalhões de Polícia, que recebiam valores mensais para permitir o livre funcionamento das casas de aposta do grupo.

Em um destes episódios, o MP afirma que o delegado de Polícia Marcos Cipriano intermediou encontro entre Ronnie Lessa, Adriana Belém, então delegada de Polícia titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), e o inspetor de Polícia Jorge Luiz Camillo Alves, braço direito de Adriana Belém.

O encontro teria culminado em acordo que viabilizou a retirada em caminhões de quase 80 máquinas caça-níquel apreendidas em uma casa de apostas da organização criminosa, tendo o pagamento da propina sido providenciado por Rogério de Andrade.

Na mesma linha de atuação, a procuradoria também denunciou como integrante do grupo o policial civil aposentado Amaury Lopes Júnior, elo do grupo com diversas delegacias. Também foi denunciado como receptor de propinas, agindo em favor de integrantes do alto escalão da Polícia Civil do Rio de Janeiro, o inspetor Vinícius de Lima Gomez.

Ações criminosas são antigas, diz o MP-RJ

A parceria entre Rogério de Andrade e Ronnie Lessa para a prática de ações criminosas é apontada nas denúncias como antiga, havendo elementos de prova de sua existência ao menos desde 2009, quando Ronnie, indicado como um dos seguranças de Rogério, perdeu uma perna em atentado à bomba que explodiu seu carro.

Posteriormente, em 2018, os dois denunciados se reaproximaram, e Rogério novamente se aliou a Ronnie e pessoas ligadas ao ex-PM, abrindo uma casa de apostas na localidade conhecida como Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, havendo ainda elementos indicando a previsão de inauguração de outras casas na Zona Oeste do Rio.

O bingo financiado por Rogério, e administrado por Ronnie, Gustavo de Andrade e outros comparsas, foi fechado pela Polícia Militar no dia de sua inauguração. Em seguida, após ajustes de corrupção com policiais civis e militares, a mesma casa foi reaberta, e as máquinas apreendidas foram liberadas.

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