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1 mês

PM passou por Kathlen baleada no chão e me 'interrogou', diz avó em juízo

Kathlen Romeo estava grávida quando foi morta aos 24 anos em junho do ano passado - Arquivo Pessoal
Kathlen Romeo estava grávida quando foi morta aos 24 anos em junho do ano passado Imagem: Arquivo Pessoal

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

16/05/2022 16h19Atualizada em 16/05/2022 16h54

Onze meses após a designer de interiores Kathlen Romeu, 24, morrer baleada com um tiro de fuzil no peito, durante uma ação da PM, no Complexo do Lins, na zona norte do Rio, o Tribunal de Justiça realiza, na tarde de hoje, a primeira audiência sobre o caso.

Em depoimento à Justiça, a avó da jovem, que estava grávida de quatro meses, Sayonara de Fátima, relembrou o momento em que a jovem foi baleada e disse que um dos policiais começou a interrogá-la, ignorando a vítima caída no chão. Kathlen chegou a ser socorrida, mas não resistiu ao ferimento.

"Esse [PM] mais claro veio na minha direção. Ele passou por ela no chão. Ficou de frente pra mim e começou a me interrogar. Gritei: 'Minha neta tá grávida' e ele me perguntando o que aconteceu. Comecei a gritar mais ainda. Aí veio um moreno alto [segundo policial] travou a arma e disse: 'Bora socorrer'. Eles não queriam que eu entrasse no carro. Vim com ela nos meus braços sendo sacudida. Não tive apoio de imediato deles, não."

Em 13 de dezembro, a Polícia Civil concluiu que o tiro que matou Kathlen partiu da arma de um policial militar —o agente não foi identificado.

Sayonara reforçou que a comunidade estava tranquila no dia 8 de junho —data em que a jovem foi morta. "Tô no poço, tô na lama, nem sei como estou de pé. O que passei ali foi insuportável", concluiu, emocionada.

MP: Cartuchos 'plantados' na cena do crime

Até o momento, cinco policiais militares que participavam da ação são réus na Justiça Militar pelos crimes de fraude processual, por alterarem a cena do crime, e de falso testemunho.

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) denunciou o capitão da PM Jeanderson Correa Sodré, o terceiro sargento Rafael Chaves de Oliveira e os cabos Rodrigo Correia de Frias, Claudio da Silva Scanfela e Marcos da Silva Salviano.

Segundo a denúncia, os cinco retiraram cartuchos deflagrados pela polícia da cena do crime antes da chegada da perícia ao local. Ainda segundo o MP, os agentes colocaram no lugar 12 cartuchos calibre 9 mm deflagrados e um carregador de fuzil 556 com dez munições intactas.

Esse material, que teria sido "plantado" pelos agentes para servir como "prova" do confronto inexistente com criminosos, foi apresentado posteriormente na 26ª Delegacia de Polícia, em Todos os Santos, na zona norte, como autêntico.

Mas um vídeo feito por moradores mostra o momento em que policiais adulteraram a cena do crime, para induzir os investigadores a erro e se eximir de culpa.

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) ainda não denunciou ninguém à Justiça pelo homicídio.

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