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'Sabe como matar': jovem envenenado tinha pé atrás com madrasta, diz mãe

Jane (à dir.) com os filhos Bruno, de 16 anos, e Fernanda, de 22; adolescente foi internado em março, 2 meses após morte da irmã - Reprodução/Instagram
Jane (à dir.) com os filhos Bruno, de 16 anos, e Fernanda, de 22; adolescente foi internado em março, 2 meses após morte da irmã Imagem: Reprodução/Instagram

Do UOL, em São Paulo

23/05/2022 09h09Atualizada em 23/05/2022 13h21

Jane Carvalho Cabral conta que o filho, Bruno, desconfiou da comida servida por Cintia Mariano Dias, madrasta do adolescente de 16 anos, suspeita de envenenar o jovem no último dia 15, após misturar "pedrinhas azuis" ao feijão servido por ela no prato do rapaz. A mãe ainda detalhou uma briga com Cintia em um hospital do Rio de Janeiro e disse não acreditar numa suposta tentativa de suicídio da suspeita, já que ela "sabe como matar".

A mulher afirmou que a atenção redobrada do caçula, que "tinha um pé atrás" com Cintia, foi fundamental para "fazer justiça por ele" e pela irmã, Fernanda, que morreu em 15 de março deste ano. Na época, segundo a mãe, o hospital não realizou testes que pudessem detectar qualquer tipo de veneno. Após 13 dias internada e com sequelas causadas por uma parada cardíaca, a jovem de 22 anos não resistiu.

"Bruno já era desconfiado com algumas coisas que ela fazia, como sumir com a caderneta do colégio, com o dinheiro da passagem que ele tinha separado, apagar mensagem, só para causar intriga com o pai", disse Jane em entrevista ao jornal O Globo.

"Ele achou muito estranho como as coisas aconteceram. Ela serviu o feijão, entregou o prato para ele, e pediu para que ele completasse com as outras coisas. Quando ele começou a comer, estranhou o gosto do feijão. Foi cutucar a comida para ver o que tinha e encontrou pedrinhas azuis, do tamanhinho de gergelim, como se tivessem sido trituradas num pilão. Ele perguntou o que era aquilo. Foi quando ela arrancou o prato da mão dele, nervosa, tirou a parte das bolinhas e colocou mais feijão, como se quisesse disfarçar o gosto".

Apesar do disfarce, Bruno voltou a sentir o gosto amargo e desistiu de comer, insistindo nas perguntas sobre o "tempero" desconhecido. Segundo Jane, em certo momento, até mesmo os filhos de Cintia teriam pedido que a mãe deixasse o adolescente "comer em paz".

Sem respostas sobre o feijão adulterado, o rapaz pediu que a mãe o buscasse na casa do pai. Convencido de que algo estava errado, ele logo pediu ajuda da mãe para tentar vomitar o almoço, mas não teve sucesso. Menos de uma hora depois, começaram os sintomas: sonolência, tontura e o corpo parcialmente paralisado.

"Quando vi os olhos dele revirando, pensei em envenenamento. Na mesma hora, liguei para o pai e fui descendo as escadas com ele. Vieram os dois socorrer. Quando ela chegou aqui, gritei na mesma hora: 'O que você colocou nesse feijão?'. Já não tinha mais dúvida de nada. Tudo o que o Bruno estava tendo foi o que eles falaram que a Fernanda teve lá. A língua enrolando, o corpo molhado de suor", lembrou a mãe, no depoimento ao jornal carioca.

Foi Cintia quem conduziu o carro que levou Bruno ao hospital, enquanto Jane se esforçava para conversar com o filho, temendo que ele perdesse a consciência e tivesse o mesmo destino da irmã, exatos dois meses após a morte da jovem. Ao chegar à unidade da saúde, a mãe imediatamente alertou sobre suas suspeitas de envenenamento e as reclamações do filho sobre o gosto do feijão.

Os médicos fizeram uma lavagem no corpo do adolescente, mas não conseguiram evitar que ele fosse intubado. Ao receber os resultados sobre o conteúdo da coleta, a equipe informou que o sistema de Bruno tinha uma quantidade de chumbo "muito grande para qualquer refeição".

Pensei, meu Deus do céu, você vai levar meu outro filho? Mas graças a Deus e a todos os santos, meu bebezinho está aqui hoje. Foram dois meses certinhos. A Fernanda foi 15 de março, domingo foi 15 de maio. Mas acredito que ela não premeditou isso, acredito que tenha sido o universo.

"Como todo hospital tem um policial, houve a suspeita e daí já teve de abrir um inquérito. De lá, já fomos para a delegacia, mas eu já não tinha mais dúvida. E eu sabia que tinha algo com o caso da Fernanda. (...) Mas como ninguém fez a lavagem, o veneno ficou ali, nela", disse a mãe dos jovens.

Na época da morte da primogênita, conta Jane, a madrasta insinuou que ela havia passado mal após "tomar algo" após um treino na academia. Na ocasião, Jane não acreditou na teoria, já que a filha estava em uma dieta com acompanhamento de profissionais.

"A sorte é que meu filho é tranquilo e observador. Graças a ele, essa máscara caiu, graças a ele nós estamos fazendo justiça pela Fernanda e por ele próprio, que quase perdeu a vida. Só elogios ao meu filho, te amo muito. Muito mesmo, continue assim. Ele veio para mostrar quem era ela e, talvez, até salvar o pai dele também", afirmou a mulher, opinando que a suspeita poderia tentar fazer algo contra o marido depois que seus herdeiros de sangue morressem.

Suspeita era motorista de van do enteado

Ao jornal carioca, Jane revelou também que Cintia conhecia Bruno desde que o adolescente tinha apenas 3 anos de idade. Ela conduzia a van escolar que levava o garoto para a escola, mas começou a se relacionar com o pai do menino há apenas quatro anos.

A mulher, que se separou do ex há oito anos, detalha que sempre teve uma relação "cordial" com ele, mas que apesar de os dois "estarem muito solidários um com o outro" desde a morte da primogênita, a nova companheira do homem era muito controladora e ditava até mesmo a utilização do celular do marido, respondendo e apagando mensagens enviadas pelo filho.

"Até a notícia da morte da Fernanda foi ela quem me deu. Eram 3h da manhã", lembra Jane. "Nos dias em que a Fernanda ficou internada, ela lá, postando oração. Era aquela redoma em cima dele, que ninguém podia chegar perto. E ele não enxergava um palmo na frente da mão dele. (...) Ela já estava inserida no trabalho dele, acompanhando ele em tudo, dominando totalmente".

Jane também comentou a suposta tentativa de suicídio da suspeita, afirmando que não acredita que Cintia tenha tentado tirar a própria vida após ser apontada como suspeita pela tentativa de homicídio do enteado.

Dizem que ela tentou se matar, que tomou vários calmantes. Mas, se ela quisesse se matar, teria tomado a dosagem que deu para a minha filha. Tomava chumbinho, botava lá no feijãozinho dela. Ela sabe como matar.

"Ainda no hospital, ela veio me afrontar, me segurou pelo braço e foi falando que era para ir todo mundo para a delegacia. Disse que não era para ela se precipitar porque, se descobrissem algo, a gente iria, sim, para a delegacia direto do hospital. Foi quando ela disse que era para levar o feijão lá, para ver se tinha alguma coisa. E eu falei que o problema nunca esteve na panela de feijão, estava no prato que ela deu para o meu filho, porque ela não queria envenenar a família inteira", contou a mãe dos jovens.

"Quero ver trazer o lixo que você jogou fora para você comer. Se eu tivesse lá, eu fazia ela comer esse feijão. Agora, quero que ela fique na cadeia para o resto da vida. Ela tem uma energia horrível, uma energia ruim", completou.

Cíntia está presa em Benfica, no Rio de Janeiro, desde sexta-feira (20).

Polícia estuda exumação de corpo

Na tarde de hoje a equipe da 33ª DP (Realengo) deve se reunir com profissionais de perícia para discutir a possibilidade de exumar o corpo de Fernanda, para investigar traços de substâncias tóxicas.

Além disso, segundo nota enviada pela Polícia Civil do Rio ao UOL, testemunhas foram intimadas para prestar depoimento ao longo desta semana como parte da investigação para apurar o caso.

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