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Perícia analisa antipulga achado com madrasta suspeita de envenenamento

Cintia Mariano Dias Cabral foi presa em Realengo, no Rio de Janeiro - Reprodução/Facebook
Cintia Mariano Dias Cabral foi presa em Realengo, no Rio de Janeiro Imagem: Reprodução/Facebook

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

23/05/2022 17h58Atualizada em 30/05/2022 16h52

A Polícia Civil enviou para perícia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli o frasco de antipulgas encontrado na cozinha da casa de Cintia Mariano Dias Cabral, suspeita de envenenar dois enteados no Rio de Janeiro.

Bruno, 16, passou mal e foi hospitalizado após um jantar na casa do pai no último dia 15. Na ocasião, ele reclamou do sabor amargo do feijão e de "bolinhas azuis" na comida. O prontuário médico, obtido pelo UOL, diz que ele deu entrada no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, com rebaixamento do nível de consciência, produção excessiva de saliva, com as pontas dos dedos e dos pés azulados e espasmos musculares.

O delegado Flávio Rodrigues explicou ao UOL que aguarda o laudo do conteúdo gástrico do adolescente para confrontar com as substâncias do antipulga encontrado na residência da família. A suspeita é que o produto possa ter sido usado no prato do rapaz.

"Já temos o laudo do paciente que aponta intoxicação exógena. A gente só não sabe qual produto causou essa intoxicação. Agora, esperamos o laudo de conteúdo gástrico [do Bruno]. Ele vai ser decisivo".

Ainda segundo o delegado, o filho de Cintia informou à polícia que a mãe havia confessado a ele que envenenou os enteados. No entanto, em depoimento à polícia, ela negou e se disse inocente.

A Delegacia de Realengo aguarda, agora, as equipes médicas do hospital, que atenderam o adolescente e também a irmã dele que morreu dois meses antes.

"O que chamou atenção no depoimento da família são os sintomas parecidos, seja da enteada, seja do enteado, e a gente quer confirmar isso. Esta semana os médicos compareceräo aqui para prestar os depoimentos necessários", disse o delegado.

Fernanda deu entrada na emergência com os mesmo sintomas de Bruno: tontura, língua enrolada e boca espumando. Na ocasião, a causa da morte foi dada como natural. A Polícia investiga se a jovem também foi envenenada. Um pedido de exumação do corpo dela está sendo analisado pelo delegado.

Com isso, Cintia é suspeita de homicídio e tentativa de homicídio. Ontem, ela teve a prisão temporária de 30 dias mantida pela Justiça.

A Delegacia de Realengo apura também se a morte do ex-marido e de uma vizinha tem relação com a suspeita. A mulher foi descrita pelo delegado como uma pessoa fria e com comportamento indiferente. Ciúmes do marido com os enteados pode ter motivado o crime.

Caldo de legumes na comida

Cintia prestou dois depoimentos na delegacia. No primeiro deles, quando questionada sobre os pedaços triturados na comida, ela alegou se tratar de caldo de legumes que não foi dissolvido no feijão servido à família.

Restos do alimento foram recolhidos no imóvel no dia seguinte à internação de Bruno. O laudo de perícia do alimento deu negativo para substâncias tóxicas. O delegado, Flávio Rodrigues, explicou que parte do feijão contaminado pode ter sido descartado pela suspeita.

Ao UOL, o advogado de Cintia, Carlos Augusto, considerou a prisão "precipitada e desnecessária".

"A Cintia compareceu espontaneamente em sede policial. No depoimento, ela negou ter confessado o crime ao filho e negou a conduta. Além disso, o feijão arrecadado pela polícia foi submetido a perícia e deu negativo para substância tóxica, ou seja, sem chumbinho", disse a defesa.

A polícia pediu ainda a quebra de sigilo dos dados telefônicos da suspeita.

"É fundamental analisar o conteúdo desse telefone, saber com quem ela conversou, se confessou para outras pessoas, saber por exemplo, se ela fez uma pesquisa, na Internet sobre veneno".

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