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1 mês

'Agiram com crueldade', diz mulher de homem negro morto por agentes da PRF

Do UOL, em São Paulo

26/05/2022 12h58Atualizada em 26/05/2022 12h58

A mulher de Genivaldo de Jesus Santos, 38, o homem negro morto ontem após uma abordagem violenta de agentes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) repudiou a "crueldade" dos policiais, que jogaram bombas de gás dentro da viatura fechada em que ele estava.

O laudo do IML (Instituto Médico Legal) confirmou que a causa da morte de Genivaldo foi "insuficiência aguda secundária a asfixia". Para Maria Fabiana dos Santos, os agentes agiram com a intenção de matar seu marido, que tinha problemas mentais diagnosticados mas, segundo imagens gravadas no local da ocorrência, não reagiu nem mesmo diante de ofensas proferidas pelos policiais.

"Eu não chamo nem de fatalidade, isso foi um crime mesmo. Eles agiram com crueldade pra matar, porque eu vivo com ele há 17 anos, ele tinha há 20 anos o problema dele, nunca agrediu ninguém, nunca fez nada de errado, sempre fazendo as coisas pelo certo, e em um momento desses pegaram ele e fizeram o que fizeram", lamentou Maria em entrevista à TV Sergipe, afiliada da Globo no estado. Ela não especificou que problema Genivaldo tinha diagnosticado.

Wallison de Jesus, sobrinho de Genivaldo, contou que estava a alguns metros do tio quando ele foi abordado pelos PRFs. Percebendo o tom agressivo dos agentes, ele mandou um colega de trabalho até lá, para explicar sobre as deficiências do homem, mas a iniciativa não apaziguou a situação.

"Eu cheguei no momento que aconteceu, a gente estava próximo. Tem um menino que trabalha comigo e eu pedi pra ele ir até o policial e falar que ele (Genivaldo) tinha um problema mental. Em nenhum momento ele exibiu força, inclusive na hora que ele foi abordado ele levantou as mãos, levantou a camisa e mostrou que não estava com arma nenhuma", afirmou o rapaz também ao canal local.

"É revoltante, porque a pessoa está num lugar, precisa de uma proteção e a proteção que vem é dessas? Como a pessoa vai se defender", lamentou Valdenice de Jesus, irmã de Genivaldo.

Segundo testemunhas, a vítima foi abordada na tarde de ontem em uma blitz na rodovia BR-101, enquanto pilotava uma motocicleta. Imagens gravadas por uma testemunha mostram que a ação começa com três agentes que se lançam sobre o homem e tentam imobilizá-lo após encontrar uma cartela de remédios com ele.

Em outro vídeo, é possível ver o momento em que Genivaldo ergue os braços, demonstrando colaborar. Mas mesmo com a colaboração, é possível ouvir os policiais gritando com ele e o ofendendo. Pouco depois, os registros mostraram o homem já no porta-malas, com fumaça escapando da viatura. Ainda não há confirmação oficial de que a substância utilizada foi gás lacrimogêneo.

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