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Rio: Operação do MP apreende R$ 253 mil em endereços de 2 PMs; 9 são presos

Dinheiro apreendido na casa do capitão Anderson Santos Orrico durante operação Mercenários - Divulgação/MP
Dinheiro apreendido na casa do capitão Anderson Santos Orrico durante operação Mercenários Imagem: Divulgação/MP

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

26/05/2022 14h03Atualizada em 27/05/2022 22h40

O Ministério Público do Rio de Janeiro e a Corregedoria da Polícia Militar apreenderam na manhã de hoje (26) R$ 253 mil na Operação Mercenários. Foram detidos 9 de 11 policiais militares alvos de mandado de prisão. O dinheiro estava em endereços ligados a dois agentes.

Há ainda 35 mandados de busca e apreensão contra o grupo investigado por corrupção, tortura, peculato e concussão —quando o funcionário público usa o cargo para obter vantagens.

Entre os investigados estão o comandante do BPM (Batalhão da Polícia Militar) de Duque de Caxias, o tenente-coronel André Araújo de Oliveira, que foi afastado da função, e o chefe do Serviço Reservado do mesmo batalhão, o capitão Anderson Santos Orrico. Contra os dois foram cumpridos mandados de busca e apreensão.

O UOL não localizou a defesa de ambos. O espaço está aberto para atualizações.

Segundo o Ministério Público, na casa de Orrico, foram apreendidos R$ 96 mil em espécie; na sala de trabalho dele, mais R$ 37 mil —resultando em R$ 133 mil.

Outro policial lotado no BPM de Caxias foi preso. Na casa dele foram localizados R$ 120 mil, além de joias, munição e rádios comunicadores, informou o MP.

Procurada, a PM informou através de nota que a Secretaria de Estado de Polícia Militar determinou a nomeação do coronel Gustavo Medeiros Bastos para o Comando do 15º BPM (Duque de Caxias). "O oficial, atualmente comandante do 25º BPM (Cabo Frio), tem mais de uma década de atuação na área correicional da corporação", diz o texto.

A PM afirmou ainda que "está colaborando com as investigações" e que "preventivamente, o comandante do 15º BPM (Duque de Caxias) foi afastado da unidade visando a isenção no andamento do caso".

"A Polícia Militar não compactua com desvios de conduta e tem como objetivo a apuração dos fatos", disse.

Entenda a operação

De acordo com as investigações, os agentes são suspeitos de torturar e extorquir dinheiro de criminosos, exigindo pagamentos de resgate para soltá-los. O grupo começou a ser investigado depois de uma análise no celular de um policial militar, apreendido durante a Operação Gogue Magogue, em agosto de 2020.

À época, as autoridades tentavam combater um grupo miliciano que explorava o serviço de mototáxis na comunidade Asa Branca, em Jacarepaguá.

Oito denunciados após a operação —incluindo o dono do celular— integravam o 24º Batalhão da Polícia Militar e teriam fundado uma organização para fazer os "acertos" com traficantes que deviam propina aos agentes públicos.

Os dados do celular apontaram que PMs lotados no GAT (Grupamento de Ações Táticas) do 24º BPM e na seção de inteligência do 21º BPM tiravam proveito de suas posições para ameaçar os criminosos.

Segundo nota do MPRJ, a organização teria sido fundada no 24° BPM por um agente que foi transferido, em fevereiro de 2020, para o 21°BPM. Na mudança, ele teria levado parte de seu grupo para atuar no novo batalhão.

Ainda de acordo com o MP, o grupo também cometeu homicídios em suas sessões de violência contra os criminosos que não pagavam propina e desviou materiais ilícitos apreendidos sem nem ao menos apresentá-los às autoridades.

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