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'Vou morrer aqui': disse jovem após ser baleado em operação no Rio

Vítimas de operação na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio de Janeiro, foram encaminhadas para hospital Getúlio Vargas - Jose Lucena/Estadão Conteúdo
Vítimas de operação na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio de Janeiro, foram encaminhadas para hospital Getúlio Vargas Imagem: Jose Lucena/Estadão Conteúdo

Igor Mello

Do UOL, no Rio de Janeiro

24/05/2022 19h14

Um dos 21 mortos na operação realizada pela PM (Polícia Militar), Polícia Federal e PRF (Polícia Rodoviária Federal) pediu socorro por telefone após ser baleado. Natan Werneck, 21 anos só foi resgatado mais de 6 horas depois e perdeu a vida a caminho do hospital. O nome dele não consta na primeira lista divulgada pela Polícia Militar, com a identificação de 10 mortos.

O jovem, segundo a polícia, integrava o tráfico da comunidade. Pouco depois das 4h, assim que a operação havia começado, ele enviou uma foto para parentes escondido na área de mata conhecida como Terra Prometida, que separa os complexos do Alemão e da Penha.

Ferido, ele chegou a escrever a um familiar "vou morrer aqui' após ser atingido por um tiro nas costas.

Embora tenha pedido socorro, Natan só foi resgatado mais de 6 horas depois da troca de mensagens, pelos advogados Gilberto Santiago e Cristiano Valle Brito, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Anacrim (Associação Nacional de Advogados Criminalistas).

Natan chegou a ser retirado com vida da comunidade e levado em uma Kombi ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas morreu no trajeto.

"A gente acabou socorrendo ainda com vida. Mas ele morreu a caminho. Infelizmente na operação eles não estão fazendo socorro dos feridos e dos alvejados. A gente está pedindo pelo menos um cessar-fogo temporário para a gente conseguir recuperar corpos e atender aos feridos. E um corredor humanitário, que é o exigido", relatou Valle Brito ao chegar na unidade de saúde.

Gilberto Santiago, que também é ex-morador do Complexo da Penha, disse que o local onde Natan foi encontrado é próximo da área por onde dezenas de traficantes fugiram da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão durante a ocupação dos dois conjuntos de favelas para a instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em 2010, cena que teve repercussão mundial à época.

Ele explica que, ao contrário do que ocorreu em 2010, as forças policiais não deixaram nenhuma rota de fuga para os suspeitos, tendo progredido simultaneamente pela entrada da comunidade e pela área de mata em seu topo, segundo relatos de moradores.

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