PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Conteúdo publicado há
2 meses

AM: Marinha cedeu 'equipamentos inadequados', diz procurador da Univaja

O jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, e o indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira  - Foto@domphillips no Twitter e Bruno Jorge/ Funai
O jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, e o indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira Imagem: Foto@domphillips no Twitter e Bruno Jorge/ Funai

Do UOL, em São Paulo

07/06/2022 16h21

De acordo com Eliésio Marubo, procurador da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), organização que primeiro avisou sobre o desaparecimento, a Marinha brasileira enviou equipamentos 'inadequados' para a busca por Dom Phillips e Bruno Araújo Pereira, jornalista e indigenista desaparecidos desde domingo. A afirmação ocorreu em entrevista à GloboNews hoje.

"O pessoal da Marinha chegou a Atalaia do Norte, mas, parece que não trouxeram os equipamentos adequados para adentrar esses lugares estreitos. Falaram que estão tentando trazer motos aquáticas para acessar", relatou o procurador.

Marubo contou que a União começou as buscas diretamente no domingo - iniciando as procuras junto à Polícia Federal ontem. Ainda assim, no entanto, o procurador revelou que a Marinha e o Exército pediram informações mas não responderam mais sobre o assunto.

"Saímos por volta das 14h e ficamos tanto com ela quanto com a Polícia Federal. Foi assim que iniciou-se essa saga com o exército brasileiro. A marinha e o exército pediram informações, mas não recebemos nenhuma resposta naquele momento", afirmou.

A Univaja "continuou o que fizemos no domingo e continuamos procurando", até a chegada dos equipamentos da Marinha, que, nas palavras de Eliésio Marubo, eram 'inadequados'.

Além disso, a entidade também contou que a Marinha prometeu um helicóptero para hoje, que ainda não chegou em Atalaia do Norte.

O UOL entrou em contato com a Marinha em busca de posicionamento. Em caso de manifestação, atualizaremos essa nota.

Univaja também organizou uma sala de operações

A união organizou uma sala de operações para começar a coordenar as movimentações de busca, mesmo sem apoio direto do governo. De acordo com Marubo, "até já identificamos suspeitos", ainda assim, as autoridades tem resistido a qualquer colaboração direta com a entidade.

"Convidamos as autoridades para comparecerem à sala, mas, não apareceram na hora combinada e tivemos que voltar às atividades", afirmou o procurador, referindo-se à Marinha e ao exército.

Marubo afirmou que é 'importante' ter uma comunicação direta entre a Univaja e as autoridades, "pois conhecemos a região". A busca, segundo ele, também precisa de mais pessoas e equipamentos adequados - especialmente para acessar as seções mais estreitas.

"Seria importante que todas as forças de segurança que estão empenhadas nesse processo conversem conosco - pois conhecemos a região. Além disso, seria importante que trouxessem equipamentos adequados para isso, também aumentando o número de pessoas nessas buscas. Isso é fruto da ação desorganizada do Estado. Eles não se comunicam conosco. Eu fui advogado criminalista por um tempo e isso só vai afastar os suspeitos", disse.

Histórico

O jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal "The Guardian" e o indigenista Bruno Araújo Pereira, servidor licenciado da Funai (Fundação Nacional do Índio), desapareceram no último domingo (5). As buscas por eles continuam na região do Vale do Javari, na Amazônia.

A equipe de busca e salvamento formada por sete militares da Capitania Fluvial de Tabatinga (AM), do 9º Distrito Naval, já está na região do desaparecimento usando uma lancha para vasculhar os rios do interior do Amazonas, segundo a Marinha.

Cotidiano