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AM: Após achar vestígios de sangue em lancha, PF pede prisão de suspeito

Peritos encontraram sangue na embarcação de Amarildo da Costa de Oliveira, o "Pelado", apontado por testemunhas como pescador que seguia Dom Phillips e Bruno Pereira - Divulgação/PF
Peritos encontraram sangue na embarcação de Amarildo da Costa de Oliveira, o "Pelado", apontado por testemunhas como pescador que seguia Dom Phillips e Bruno Pereira Imagem: Divulgação/PF

Herculano Barreto Filho e Juliana Arreguy

Do UOL, em São Paulo

09/06/2022 19h03

Após encontrar vestígios de sangue na lancha que pertence ao homem apontado como suspeito de envolvimento no desaparecimento do jornalista Dom Phillips, do jornal britânico The Guardian, e do indigenista Bruno Araújo Pereira, servidor licenciado da Funai (Fundação Nacional do Índio), a Polícia Federal solicitou hoje (9) a prisão preventiva dele.

Preso em flagrante desde terça-feira (7) por porte de munição de uso restrito, Amarildo da Costa de Oliveira, 41 anos, conhecido como "Pelado" foi visto por testemunhas ouvidas pela Polícia Militar em uma lancha logo atrás da embarcação com o repórter e o indigenista desaparecidos desde domingo (5).

Na lancha, foram encontrados vestígios de sangue. Hoje, foi informado que o material foi encaminhado para ser periciado em Manaus.

Ontem, durante entrevista coletiva, o general Carlos Alberto Mansur, secretário de Segurança do Amazonas, já havia mencionado a coleta de uma suposta evidência — no entanto, ele não disse o que era. Mansur também declarou que as autoridades ainda não haviam encontrado relação entre Amarildo e o desaparecimento da dupla. Segundo o secretário, ele havia sido detido pelo porte de munição de 762 [um tipo de fuzil de uso restrito às Forças Armadas].

sangue - Divulgação/PF - Divulgação/PF
Vestígios de sangue foram encontrados na lancha de Amarildo da Costa de Oliveira, o "Pelado"
Imagem: Divulgação/PF

Testemunhas citam ameaças de Amarildo

Paulo Barbosa da Silva, coordenador-geral da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), disse que o repórter inglês fotografou homens armados que ameaçavam os indígenas. Os homens, segundo Barbosa, seriam ligados a Amarildo.

O episódio ocorreu dois dias antes do desaparecimento, na divisa de um território indígena, de acordo com Barbosa. "O Bruno e o Dom Phillips foram visitar a equipe da Univaja quando um grupo de invasores esteve lá. Eles ficaram mostrando arma de fogo, para ameaçar. O jornalista tirou a foto, e os invasores voltaram para a comunidade deles, que fica na área [do suspeito preso]", relata.

O jornal O Globo publicou uma carta na qual pescadores prometem "acertar contas" com Pereira. Em outra reportagem, o jornal aponta que Pelado teria ironizado o fato de Bruno Pereira andar armado pelo Vale do Javari, onde prestava consultoria voluntária aos indígenas.

Segundo relatos de testemunhas à polícia, Amarildo teria dito "quero ver se ele atira bem". Por ser alvo de ameaças de morte de garimpeiros, pescadores e madeireiros pelo seu trabalho de proteção às comunidades indígenas na Amazônia, Bruno Pereira tem porte de arma.

Onde o indigenista e o jornalista desapareceram - Arte/UOL - Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Procuradores da região fazem defesa de Amarildo

A defesa de Amarildo contou com a participação de dois procuradores de prefeituras da região — cargos que têm a função de defender o município em processos na Justiça.

A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo UOL. Um deles chegou a exercer, no ano passado, o cargo de prefeito interino de Atalaia do Norte (AM), onde Amarildo está preso. É a mesma cidade para onde o jornalista e o indigenista seguiam antes do sumiço no último domingo (5).

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