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'Desrespeito': entidades e políticos reagem a fala de Bolsonaro sobre Dom

16.nov.2019 - O jornalista Dom Phillips (c) conversa com indígenas da aldeia Maloca Papiú, no Roraima - JOAO LAET/AFP
16.nov.2019 - O jornalista Dom Phillips (c) conversa com indígenas da aldeia Maloca Papiú, no Roraima Imagem: JOAO LAET/AFP

Herculano Barreto Filho e Carlos Madeiro

Do UOL, em São Paulo e Maceió

15/06/2022 17h13

O posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao dizer que o jornalista britânico Dom Phillips era "malvisto" por fazer "muita matéria contra garimpeiro" desencadeou uma série de críticas de entidades, políticos e pessoas ligadas ao caso.

A Polícia Federal do Amazonas levou hoje ao local das buscas um dos suspeitos de envolvimento no desaparecimento dele e do indigenista Bruno Araújo Pereira, servidor licenciado da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o pesquisador Aiala Couto diz que o posicionamento de Bolsonaro incentiva ainda mais a violência relacionada ao garimpo, ao desmatamento e à exploração ilegal de madeira na Amazônia.

É um ato covarde de um presidente, que fundamenta o avanço da violência contra ambientalistas, lideranças indígenas e também contra jornalistas que denunciam os problemas na Amazônia."
Aiala Couto, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Ele lembrou que o governo Bolsonaro tem histórico de incentivo ao garimpo. "Qualquer ação contrária a essa atividade, ele [Jair Bolsonaro] vai apresentar como inimigo. Existe uma série de correspondentes estrangeiros que fazem reportagens com denúncias de desmatamento e de violência contra os povos indígenas. O Dom era um desses jornalistas", complementou.

Pré-candidato ao governo do Rio, o deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) usou o seu perfil no Twitter para se posicionar sobre o caso. Segundo ele, Bolsonaro é malvisto no Brasil e no mundo "por, mais uma vez, estar do lado de bandidos que matam e destroem a floresta". "Essa declaração é um desrespeito com as famílias de Dom e Bruno", escreveu.

Em seu Twitter, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) disse que Bolsonaro deveria "limpar a boca" antes de falar de Dom e Bruno.

Natalia Mazotte, presidente da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) questionou a forma como Bolsonaro se refere a repórteres. "Não é a primeira vez que o presidente da República trata o jornalismo como, no mínimo, um incômodo. E sempre com muito desrespeito."

Para Maria José Braga, presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), com a declaração, Bolsonaro tenta novamente "descredibilizar" o trabalho do profissional de imprensa.

"Mais uma vez, o presidente mostra que não está à altura do cargo que ocupa. Já havia dito que Dom e Bruno tinham se aventurado. Agora, tenta descredibilizar o trabalho do jornalista. Essa é a tática de Bolsonaro: atacar para não dar as respostas que lhe cabe dar como chefe de governo", disse.

Manoel Chorimpa, líder indígena, defendeu Dom e criticou o ataque. "Dom Philips é um parceiro, preocupado com o futuro da Amazônia, do planeta e da humanidade nessa relação com o meio ambiente. Ele tinha o sentimento de paixão pela Amazônia e pelo Brasil, algo que falta ao presidente."

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