Conteúdo publicado há 2 meses

Imagens aéreas mostram rachaduras em região de mina em Maceió; veja vídeo

Imagens aéreas obtidas pelo UOL mostram rachaduras gigantes na região de uma mina em Maceió (AL), explorada pela Braskem, que pode colapsar.

O que aconteceu

As fotos, enviadas pelo jornal Extra, de Alagoas, mostram rachaduras na região do bairro de Mutange, na capital alagoana.

As rachaduras aparecem em meio a casas, áreas verdes e uma estrada.

A Defesa Civil de Alagoas informou que a largura máxima da cratera que pode ser aberta é de 300 metros de diâmetro.

O professor Gerardo Portela, especialista em gerenciamento de riscos, disse, em entrevista ao UOL News, que o colapso iminente é fruto de um processo longo de descaso. "Estamos vendo a parte final de um processo que é lento, gradual. Ele pode acontecer abruptamente, mas não é o caso porque há registro de dados históricos mostrando que há anos está um progresso de dano severo no subsolo, atingindo o solo".

O especialista definiu as imagens das rachaduras como "espetáculo do que estava oculto por anos". "Vamos encontrar várias anormalidades que são consequências quando se faz uma grande cavidade no subsolo para explorar riqueza, que pode gerar movimentos vazios no solo".

Portela também ressaltou que os envolvidos na exploração da mina são os responsáveis pela situação. "Do ponto de vista de engenharia, ciência e tecnologia, o grande responsável para que a gente não chegasse a esse ponto seria quem faz a exploração e quem fiscaliza quem faz a exploração".

Área evacuada

A Defesa Civil de Maceió está em alerta máximo. A recomendação é de que a população não deve transitar na área que foi desocupada.

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Parte do colapso deve atingir a Lagoa Mundaú, informou a Defesa Civil. Nenhum efeito ecológico imediato será sentido se isso ocorrer e a área está isolada.

A evacuação dos arredores da mina foi determinada pela velocidade de afundamento do solo na região, que hoje é de 50 centímetros por dia.

Uma nova projeção de hora de colapso deve ser divulgada pela Defesa Civil em breve. A previsão inicial era que a mina colapsasse por volta das 6h de hoje, o que não ocorreu.

Braskem

O ministro dos Transportes, Renan Filho, atribuiu à Braskem a "total responsabilidade" pelo desastre em Maceió, com o iminente colapso de uma mina de sal-gema. Ele foi entrevistado no UOL News nesta sexta (1º).

A Braskem mantém atividades de mineração sob a superfície de Maceió desde a década de 1970. Ao todo, são 35 minas de sal-gema na área urbana da cidade. A Defesa Civil da capital alagoana estima que o colapso pode abrir uma cratera com aproximadamente 300 metros de diâmetro.

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Renan Filho, ex-governador de Alagoas e eleito senador pelo estado, compara a situação em Maceió à tragédia em Brumadinho e em Mariana, quando o rompimento de uma barragem da mineradora Vale causou 270 mortes em 2019. O ministro ressaltou que a empresa foi considerada culpada pelo desastre e há uma discussão no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) sobre o pagamento de uma indenização de cerca de R$ 100 bilhões.

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