Conteúdo publicado há 3 meses

Empresário diz que 'teve dificuldade' de fazer seguros para nordestinos

Um empresário está sendo acusado de xenofobia nas redes sociais após dizer que "teve dificuldades" para fazer seguros de vida para nordestinos em um período por "casos de má-fé" das pessoas da região.

O que aconteceu

Uglio Scaravaglione, colaborador da Genebra Seguros, disse que houve um período em que a empresa se deparou com "dificuldades" em fazer seguros de vida para nordestinos. Ele respondia a uma questão sobre a carência do seguro de vida no programa "Papo Certo", transmitido pela Ulbra TV, afiliada da TV Cultura no Rio Grande do Sul, no último dia 28.

Uglio argumentou que a situação ocorria porque a empresa teria registrado "alguns casos horríveis de má-fé" com pessoas do Nordeste. Nas redes sociais, o empresário diz ser de Novo Hamburgo (RS).

Ele ainda usou como exemplo os questionamentos dos possíveis clientes sobre a carência do seguro. A carência é o tempo mínimo estabelecido pela seguradora para que a cobertura seja efetivada. "As pessoas já ligavam perguntando na mesma ligação, no mesmo momento, 'se eu fechar o seguro de vida hoje, amanhã eu vou estar coberto?'"

Para o empresário, os questionamentos sobre o início da validade do seguro "já pressupõem, de alguma forma, uma previsão, digamos assim, de algo premeditado que venha a ser feito". Ao terminar a declaração, Scaravaglione não respondeu ao questionamento sobre a carência do seguro de vida.

Nas redes sociais, diversos internautas apontaram xenofobia nas declarações de Scaravaglione.

"Essa é uma pergunta óbvia. É lógico que as pessoas querem saber, afinal de contas, pagamos seguros para ter cobertura. Todos os dias é um preconceito contra o Nordeste", escreveu uma. "O que acontece por aqui? As pessoas estão perdendo a noção da fala. Total absurdo isso. Xenofobia pura. As pessoas precisam ser responsabilizadas pelo que falam", escreveu outra. "Ué, quem faz um seguro não faz esse tipo de pergunta sobre cobertura e carência? Que fala carregada de preconceito."

Já outros internautas afirmaram que a declaração dele é baseada em dados da empresa e não é xenofóbica. "O cara fala uma realidade que a empresa detectou, somente isso", disse um. "Mas está afirmação dele é preconceito ou é a constatação de uma realidade? Acho importante analisar este tema sob perspectiva de uma degradação moral, cultural e coletiva que leva, sim, ao aumento do índice de fraudes", comentou outro.

O colaborador foi afastado de suas atividades. A Genebra disse que o afastamento reflete o compromisso da empresa em manter um ambiente de trabalho baseado no respeito mútuo e na integridade.

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A Genebra Seguros publicou uma nota sobre o ocorrido e disse que as palavras de Uglio não refletem os princípios e valores da empresa. "Peço sinceras desculpas pela ofensa e desconforto que estas declarações possam ter causado a todos e, especialmente ao povo da região Nordeste", escreveu o CEO, Guilherme Silveira.

A gente teve até alguns fatos curiosos e até muito tristes: as mães no Nordeste queriam fazer [o seguro de vida] para os filhos pequenos e famílias muito carentes financeiramente. Infelizmente eram já pensando nesse óbito para ser restituído do valor. [Reação dos apresentadores] É muito triste.
Uglio Scaravaglione, colaborador da Genebra Seguros

Veja a declaração:

Errata:

o conteúdo foi alterado

  • Diferentemente do que informava o texto inicial, Uglio Scaravaglione não é CEO da Genebra Seguros. Ele é um colaborador da equipe, que agora foi afastado de suas atividades. A matéria foi corrigida.

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