Conteúdo publicado há 2 meses

Morador denuncia 'visita' de PMs a baleado em UTI: 'Não morreu ainda?'

Um morador de São Vicente, na Baixada Santista, disse que policiais militares visitaram a UTI do hospital onde estava internado um homem baleado duas vezes à queima-roupa durante uma discussão com um PM em ação flagrada em vídeo na última sexta-feira (9). Os tiros o atingiram em uma das pernas e no peito.

O que aconteceu

"Não morreu ainda?" O morador disse que os policiais militares foram ao Hospital do Vicentino, em São Vicente, e teriam perguntado a profissionais de saúde se a vítima ainda estava viva na sexta-feira à noite, horas após os disparos. Em seguida, teriam fotografado o homem, intubado na CTI da unidade. A identidade e o grau de proximidade do morador com a vítima não serão revelados a pedido da própria testemunha.

Fizeram uma segunda "visita" ao hospital. Segundo a testemunha, policiais militares voltaram ao hospital no sábado (10) pela manhã para verificar o estado de saúde do homem baleado. À noite, o homem baleado foi transferido para a Santa Casa de Santos.

Estado de saúde é estável, segundo a família. Parentes do homem baleado dizem que uma das balas perfurou o pulmão e se alojou próximo à coluna vertebral. Apesar da gravidade do ferimento, a vítima não corre risco de morte e não sofreu lesões graves.

PM apura o caso, diz SSP. Questionada sobre a denúncia do morador, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a PM instaurou inquérito policial militar para apurar "todas as circunstâncias relativas aos fatos". Os detalhes do relato também foram encaminhados à Ouvidoria das polícias, que tem monitorado as ações policiais na Baixada Santista.

Ele [morador baleado] estava trabalhando. Fazia a limpeza da comunidade quando o policial começou a encará-lo. Depois, desceu da viatura e disse: 'bota as mãos na cabeça'. Ele disse 'não', porque estava trabalhando. Aí, o policial deu um tapa no peito dele. Depois, atirou na perna. Pedi que ele se acalmasse, mas a confusão continuou. Aí, veio o segundo tiro, no peito.

Os policiais perguntaram: 'Não morreu ainda?' e tiraram fotos dele intubado na UTI. Depois, ainda voltaram ao hospital.
Testemunha da ação do PM, que também socorreu a vítima ao hospital

Baixada Santista: 19 mortes em uma semana

Onda de mortes após assassinato de PM. A escalada de violência na Baixada Santista começou após a morte de um soldado da Rota, a tropa de elite da PM, baleado em uma ação no dia 2 de fevereiro em Santos. De lá para cá, foram registradas 19 mortes na região. Moradores relatam ameaças, intimidações e agressões.

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"Graves violações", diz Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. Em nota, a pasta diz ver "graves violações" de direitos humanos na ação da PM na Baixada Santista. O órgão diz que permanecerá em contato com as autoridades locais e entidades "para que a violência cesse e a população do litoral de São Paulo possa viver em segurança".

Ouvidoria das polícias analisa vídeos, fotos e áudios. A Ouvidoria das polícias diz ter recebido relatos de moradores e tem atuado em conjunto com entidades de direitos humanos "[Há] um aumento crescente e desproporcional da violência", diz o órgão por nota. O ouvidor Cláudio Silva conversou por telefone sobre o caso com Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos.

Combate ao crime organizado, diz SSP. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo diz que "o policiamento preventivo e ostensivo na Baixada Santista foi reforçado para proteger a população". A pasta diz, ainda, que as ações de combate ao crime organizado continuam.

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