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Eleições 2020

Datena, Russomanno, Marta: as peças que travam o xadrez da eleição de SP

Datena, Russomanno e Marta ainda não indicaram como vão se posicionar para a eleição paulistana - Divulgação
Datena, Russomanno e Marta ainda não indicaram como vão se posicionar para a eleição paulistana Imagem: Divulgação

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

03/08/2020 04h00

Para que o eleitor paulistano entenda qual cenário terá em novembro na disputa pelo comando da cidade, três partidos ainda precisam colocar suas peças no jogo. E a posição delas começará a ser definida em agosto.

Até o momento, a ex-prefeita paulistana Marta Suplicy (Solidariedade), o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) e o jornalista José Luiz Datena (MDB), três dos cotados para ocupar a posição de vice na chapa do atual prefeito e pré-candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), não manifestaram se e como estarão na corrida pela Prefeitura de São Paulo.

A tendência é de que Marta e Russomanno disputem o primeiro turno como concorrentes de Covas. Já Datena tornou-se uma incógnita novamente em razão da mudança de prazos por conta da pandemia do novo coronavírus.

Por que agosto é decisivo?

O mês de agosto é considerado crucial por ser o último antes do período de convenções, que vão ocorrer entre 31 de agosto e 16 de setembro. Nos eventos, os partidos deverão apresentar seus candidatos e alianças para a disputa do pleito, que terá o primeiro turno em 15 de novembro.

Trio aliado

1º.out.2016 - O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, toma um café durante campanha no bairro do Cangaíba, zona leste de São Paulo (SP) - Paulo Lopes - 1º.out.2016/Futura Press/ Estadão Conteúdo - Paulo Lopes - 1º.out.2016/Futura Press/ Estadão Conteúdo
Favorito no início das últimas campanhas, Russomanno nunca chegou ao segundo turno
Imagem: Paulo Lopes - 1º.out.2016/Futura Press/ Estadão Conteúdo

Solidariedade, MDB e Republicanos são aliados do PSDB na prefeitura paulistana e no governo estadual, comandado por João Doria (PSDB). Mas dois deles devem se transformar em adversários apenas no período eleitoral por causa, principalmente, de uma nova regra.

A partir desta eleição está proibida a coligação de partidos para a disputa de vagas na Câmara Municipal. Assim, Solidariedade e Republicanos devem usar, respectivamente, Marta e Russomanno para atrair votos para suas chapas de candidatos a vereador.

As assessorias dos dois políticos disseram que não há nenhuma decisão até o momento. Eles não quiseram conceder entrevista.

Caminhos

1º.out.2016 - A candidata do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, mandou beijo para os eleitores durante carreata em Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista - Werther Santana - 1º.out.2016/Estadão Conteúdo - Werther Santana - 1º.out.2016/Estadão Conteúdo
Marta disputou a eleição de 2016 para a Prefeitura de São Paulo pelo MDB
Imagem: Werther Santana - 1º.out.2016/Estadão Conteúdo

Apesar de o Solidariedade compor os governos tucanos em São Paulo, o nome de Marta também é sondado para ser vice de Márcio França (PSB), opositor de Doria. Esta possibilidade, porém, é vista como remota no partido.

"A gente trabalha para a Marta ser candidata a prefeita. Nós queremos muito, mas tem esse namoro com os tucanos. O próprio Márcio fazendo aceno. A Marta talvez seja a peça que está faltando nesse tabuleiro para o jogo eleitoral na cidade de São Paulo", diz o presidente municipal do Solidariedade, Pedro Nepomuceno, também subprefeito de Santana-Tucuruvi.

Ele projeta que uma definição a respeito de Marta aconteça até a primeira semana de setembro: "Será uma decisão pessoal dela."

Resultados em queda

Marta e Russomanno são nomes fortes na disputa pela prefeitura, mas que não apresentaram bons resultados nos últimos pleitos. O deputado começou as campanhas de 2012 e 2016 liderando as pesquisas, mas, no final, não conseguiu chegar ao segundo turno em nenhuma das ocasiões.

Já Marta perdeu praticamente três quartos do seu eleitorado. Em 2008, última vez que disputou o cargo pelo PT e chegou ao segundo turno, ela iniciou a eleição com pouco mais de 2 milhões de votos. Oito anos depois, quando estava no MDB, atingiu cerca de 587 mil e ficou em quarto lugar, atrás de Russomanno, que obteve por volta de 790 mil votos.

O deputado, por sua vez, tinha conquistado quase o dobro dessa votação quatro anos antes, em 2012: 1,3 milhão.

Datena: o (quase) candidato

A posição de vice na chapa de Covas deve ficar com o MDB. Mas uma incerteza existe em razão do nome cotado para a posição: o jornalista José Luiz Datena, do Grupo Bandeirantes. Seu histórico é de desistências.

Em 2016, ele mudou de ideia e abriu mão de sua intenção de disputar a Prefeitura de São Paulo pelo PP em razão das denúncias envolvendo o partido na Operação Lava Jato.

Dois anos depois, houve uma "quase" candidatura. No final de junho de 2018, ele deixou o jornalístico "Brasil Urgente" para disputar a eleição, já que a lei proíbe candidatos de participarem de programas de rádio e televisão cerca de três meses antes do pleito. Mas, logo no início de julho, ele mudou de ideia e voltou para o "Brasil Urgente".

Neste ano, Datena filiou-se ao MDB em março e indicou a possibilidade de estar na disputa pela Prefeitura de São Paulo, seja como cabeça de chapa ou vice. Mas não deixou a TV e o rádio em 30 de junho, quando passava a vigorar o período de afastamento de pré-candidatos de programas.

Contudo, por causa da pandemia do novo coronavírus, o calendário eleitoral mudou e o novo prazo passou a ser 11 de agosto. Como Datena estará em férias no mês de agosto, ele deve ganhar um tempo a mais para tomar sua decisão.

"Não está descartada a possibilidade de ele ser candidato. O mais provável ainda seja talvez de vice do Bruno Covas, mas tudo envolve uma decisão pessoal dele", afirma Ricardo Nunes, vereador e presidente municipal do MDB.

Por causa do pedido de férias, Nunes acredita, agora, que "existe uma probabilidade razoável" de Datena, desta vez, entrar na política. "Isso nos dá uma sensação de que ele está pensando muito nessa questão. Se não, já teria descartado por absoluto."

agora é com datena - Divulgação/Band - Divulgação/Band
Imagem: Divulgação/Band

"Agora é com Datena"

A incerteza em torno do jornalista trava a chapa de Covas. Há um acordo entre PSDB e MDB para que Datena seja o vice. Mas, caso ele não entre na disputa, a posição de parceiro de Covas na chapa fica em aberto, o que pode gerar disputas.

A candidatura a vice poderá ser cobiçada pelos outros partidos coligados, como o Democratas, que já possui a posição de vice de Doria no governo estadual. Os tucanos, porém, não descartam repetir 2016 e fazer uma "chapa pura", ou seja, com Covas e algum membro do PSDB.

Ficaria a cargo do prefeito decidir a posição de vice, diz uma liderança tucana ligada à campanha e que não descarta a possibilidade de um nome do partido. Porém, segundo partidos aliados, a tendência, visando as eleições de 2022 e 2024, é de que a vaga fique mesmo com o MDB, com ou sem Datena.

"Se ele não aceitar ser candidato a prefeito ou a vice, o MDB deve pleitear a vaga de vice do Bruno, indicar outro nome", diz Nunes, que se encontrou com o prefeito na terça-feira (28). Um eventual substituto ainda está em discussão. "Se o Datena aceitar ser vice, praticamente a gente terá uma situação definida com relação à chapa do Bruno."

A aposta principal entre as lideranças partidárias, porém, é que ele, de novo, não irá entrar na política. Procurado, o jornalista não se manifestou.

A única certeza entre os partidos é que agosto servirá para ajustar conversas e analisar cenários para tomar a decisão que irá mostrar, de vez, quais são as peças no tabuleiro para o jogo pela Prefeitura de São Paulo.

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