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MA: Candidato desiste de concorrer à prefeitura por 'sindrome pós-covid'

Carlos Madeira (Solidariedade) desistiu de concorrer à prefeitura de São Luís por sequelas da covid-19 - Reprodução/Facebook
Carlos Madeira (Solidariedade) desistiu de concorrer à prefeitura de São Luís por sequelas da covid-19 Imagem: Reprodução/Facebook

Aliny Gama

Do UOL, em Recife

07/10/2020 20h16

O candidato à prefeitura de São Luís (MA), o ex-juiz federal José Carlos do Vale Madeira (Solidariedade), anunciou hoje que desistiu de concorrer ao cargo porque está com problemas de saúde relacionados às sequelas deixadas pela covid-19, após ser infectado pelo novo coronavírus no mês passado.

Ele informou que retirou a candidatura a prefeito da capital porque não tem condições físicas de continuar a agenda de compromissos, realizada de forma intensa na busca pela conquista do voto do eleitor. O problema está sendo chamado pelos médicos e pesquisadores de "síndrome pós-covid".

Em carta aberta, Madeira explicou que desenvolveu a "síndrome pós-covid" e está acometido de fadiga extrema, afetando o raciocínio e a fala dele. Além disso, o político disse que enfrenta também problemas respiratórios.

Carta ao povo de São Luís. #SomosMadeira

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Diante da situação da saúde dele, o ex-juiz decidiu não concorrer mais ao cargo. Madeira afirmou que a decisão foi uma das mais difíceis da vida dele. Ele disse ainda que deixa de concorrer ao cargo, mas não ficará afastado de trabalhar "ainda mais pela nossa cidade".

No texto, ele destaca que desde a pré-campanha na pandemia trouxe problemas, pois os trabalhos se tornaram restritos por quase três meses. Além disso,"no meio do caminho, antes mesmo da nossa convenção partidária, fui alcançado pela covid-19".

"Fiquei por duas semanas em isolamento, cumprindo a quarentena até receber a confirmação de que a carga viral estava zerada. Perdi cerca de oito quilos em 12 dias de hospital. Mesmo frágil fisicamente, tomei a decisão de retomar os compromissos de campanha em respeito ao povo, ao partido Solidariedade e à nossa militância", relata o ex-candidato.

"Não sabia que o pior ainda estava por vir. Dia após dia, a fadiga foi me consumindo e comprometendo a minha fala e o meu raciocínio. Só depois fui informado pelo médico que acompanha o meu caso, Dr. Serafim Gomes de Sá, de que a minha dificuldade respiratória era apenas mais uma das muitas consequências possíveis do coronavírus, aquilo que a ciência está chamando agora de 'síndrome pós-covid'", explicou Madeira, destacando que não está se esquivando de "responsabilidades", mas foi aconselhado pela família e pelos médicos a tomar a decisão.

"Tive que tomar uma das decisões mais difíceis da minha vida: abrir mão de um projeto que hoje reputo coletivo, porque não é mais do Madeira, mas de tantas e tantas pessoas espalhadas pelos bairros e pela zona rural dessa cidade que tanto amo", ressaltou.

Madeira afirmou ainda que a decisão de se tornar candidato a prefeito de São Luís e, agora, desistir de concorrer ao cargo trouxe o aprendizado que "para recuar de uma batalha, é preciso antes de tudo ter humildade e sabedoria para reconhecer os riscos".

"Faço opção por cuidar da minha saúde. E, se puder oferecer apenas um conselho, direi a todos: cuidem-se! O vírus ainda está no nosso meio e as sequelas da covid-19 são imprevisíveis", alertou.

Síndrome pós-covid

A "síndrome pós-covid" — também chamada de "covid-19 pós-aguda", "covid longa", "covid prolongada", "covid persistente" — é um conjunto de múltiplos e variados sintomas que persistem mesmo após a carga viral da doença estar zerada e, também, meses após o início dos sintomas.

Os sintomas da síndrome vão de tosse persistente, falta de ar, fadiga intensa, dificuldades de concentração, depressão, dores no corpo, problemas tromboembólicos, lesões dermatológicas, entre outros.

Atualmente, o Maranhão totaliza 176.995 casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus e 3.828 mortes, segundo boletim epidemiológico do governo do Estado. Já São Luís tem até agora 21,785 pessoas infectadas pelo novo coronavírus e 1.248 mortes causadas pela covid-19.

Dez concorrem ao cargo

Esta é a primeira vez que Carlos Madeira concorreu a um cargo eletivo. Ele foi juiz federal do Tribunal Regional Federal da 1ª Região até janeiro deste ano, quando deixou o cargo para se candidatar a prefeito de São Luís. Madeira já foi juiz estadual, promotor de Justiça e professor de direito em curso universitário em São Luís.

Ele é presidente do diretório municipal do partido em São Luís. A candidatura de Madeira foi anunciada durante a convenção partidária, ocorrida de forma presencial, no dia 16 de setembro, na Associação dos Oficiais Militares do Maranhão, no bairro de Fátima. Entretanto, ele participou do evento por meio de videoconferência, pois estava em isolamento devido à covid-19.

Nas eleições municipais desde ano, Solidariedade não se coligou a nenhum partido. O Solidariedade tem 40 candidatos concorrendo a cargos de vereadores em São Luís.

Madeira é o segundo candidato à prefeitura de São Luís a desistir de concorrer ao cargo durante a campanha eleitoral. O economista Adriano Sarney (PV), neto do ex-presidente da República, José Sarney, desistiu da candidatura no dia 27 de setembro, depois que o partido analisou que não teria espaço suficiente na televisão para divulgar as propostas dele.

O PV tem apenas seis segundos no horário eleitoral na televisão, determinado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e ficou de fora dos debates e entrevistas que serão realizados nas emissoras de televisão local devido aos critérios definidos para os participantes.

Agora, com a saída de Madeira, São Luís tem dez candidatos à prefeitura.

São eles: Bira do Pindaré (PSB), Duarte Júnior (Republicanos), Eduardo Braide (Podemos), Franklin Douglas (PSOL), Hertz Dias (PSTU), Jeisael Marx (Rede Sustentabilidade), Neto Evangelista (DEM), Rubens Pereira Junior (PCdoB), Silvio Antônio (PRTB) e Yglésio Moysés (PROS).