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Candidato a vereador que tem piscina com suástica desiste de disputa

Professor tem uma piscina com símbolo nazista e já defendeu o regime ditatorial de Pinochet no Chile - Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina
Professor tem uma piscina com símbolo nazista e já defendeu o regime ditatorial de Pinochet no Chile Imagem: Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

19/10/2020 15h32

O professor de História Wandercy Antônio Pugliesi (sem partido), que ficou conhecido por ter uma suástica no fundo da piscina da casa onde mora, desistiu de concorrer a vereador em Pomerode (SC). A renúncia foi cadastrada ontem no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com uma carta escrita por ele a mão.

No texto, Pugliesi afirmou que a candidatura deverá ser ocupada por um suplente e alegou que desistiu do pleito porque sua campanha sofreu "forte campanha midiática de difamação".

"Ao ilustríssimo magistrado peço minhas escusas pela confusão por mim criada. Na primeira carta (8 de outubro do corrente) estava eu pressionado pela forte campanha midiática de difamação, na segunda carta (16 de outubro do corrente) me tocava reação de enfrentamento. Ambas assinadas no flagrar dos ânimos. Já esta presente a escrevo com serenidade e certeza de maneira que minha decisão é definitiva e irrevogável", escreveu o agora ex-candidato.

O pedido de cancelamento da candidatura já havia sido solicitado por três advogados que representam Pugliesi na última sexta-feira (16). Entretanto, uma hora após o primeiro registro, outros dois advogados informaram o desejo do político de continuar na disputa. Segundo a defesa, Pugliesi atendeu todos os requisitos necessários para participar das eleições.

"Ocorre, todavia, que, durante a campanha eleitoral, a sua candidatura foi exposta na mídia de forma absolutamente depreciativa, razão pela qual os representantes do Partido Liberal solicitaram que o Requerente assinasse uma carta a fim de apaziguar os ânimos, mas sob a condição desse documento não ser utilizado oficialmente. Mesmo assim, esta carta foi juntada aos autos, contendo o pedido de desfiliação e retirada da candidatura do Requerente, o que expressa a sua vontade", salientaram os advogados.

Ainda na última sexta-feira, Pugliesi encaminhou uma carta à Justiça eleitoral reforçando que não iria se desfiliar do PL e não desistiria da candidatura. Entretanto, a decisão do político mudou ontem.

Após a candidatura dele vir à tona, o PL decidiu expulsar Pugliesi do partido. "Por não compactuar ideologicamente com o filiado, o PL encaminhou o desligamento do mesmo. O partido reforça sua firme posição contra todo tipo de apologia à discriminação, seja racial, religiosa ou social", informou o PL em nota.

Professor Wander - Reprodução/Site do TSE - Reprodução/Site do TSE
Imagem: Reprodução/Site do TSE

Piscina com suástica foi flagrada em 2014

O caso da piscina veio à tona em dezembro de 2014. À época, a Polícia Civil disse que manter uma suástica em propriedade particular não configura apologia ao nazismo e, portanto, não é crime. "Não tem apologia, não tem rede social, não tem absolutamente nada de ilegal nessa história", explicou à Folha de S.Paulo o delegado Luiz Carlos Gross.

Nas redes sociais, Wander faz críticas ao PT e ao DEM, partido do atual prefeito de Pomerode, Ércio Kriek, e demonstra apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "Nada mais natural do que 'bolsonaristas raiz' serem eleitos em novembro", escreveu ele em 13 de setembro. Os posts de teor político foram apagados das páginas após serem divulgados pela imprensa.

Entre declarações de "não ao comunismo" e "não podemos deixar a esquerda tomar conta das seções eleitorais", também há uma postagem exaltando a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), no Chile, que deixou mais de 3 mil mortos ou desaparecidos, torturou milhares de prisioneiros e forçou 200 mil pessoas ao exílio.