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Sem promessas para a cidade de SP, PCO põe críticas a Bolsonaro em programa

Antonio Carlos Silva é candidato do PCO a prefeito de São Paulo - Divulgação
Antonio Carlos Silva é candidato do PCO a prefeito de São Paulo Imagem: Divulgação

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

29/10/2020 04h00

Se procurar promessas específicas para a cidade de São Paulo, o eleitor não vai encontrá-las no programa de governo do PCO. "O que é apresentado nas eleições municipais é uma demagogia, são falsas soluções", diz o candidato do partido a prefeito paulistano, Antônio Carlos Silva.

O plano de governo do PCO apresentado à Justiça Eleitoral na capital paulista tem 37 páginas e é idêntico ao apresentado em outras cidades, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A íntegra do documento está disponível neste link. O partido sem programa para a capital paulista encerra a série do UOL com resumos dos planos das candidaturas.

Um dos fundadores do partido, membro da Executiva Nacional e presidente estadual do PCO em São Paulo, Silva concorda que "há uma preponderância dos temas políticos mais gerais sobre os temas paroquiais" nos planos de governo do partido. "Se você tem tempo e recurso limitados, você vai dar importância àquilo que é mais relevante."

O PCO não tem direito a tempo de televisão nem a participação no fundo eleitoral. Para o candidato, o partido "acaba sendo vítima da limitação da aparição". "Se a gente tivesse o horário eleitoral, a gente teria a oportunidade de explicar esses problemas [propostas para a cidade]."

Por essa razão, o partido usa o espaço que possui para tratar de problemas de maior abrangência. "A gente procurou unificar o partido, como já fez em outras ocasiões, mas principalmente nessa situação de crise."

Você acrescenta problemas locais aqui e acolá, mas o destaque, o eixo das campanhas, são problemas mais gerais.
Antônio Carlos Silva, candidato do PCO a prefeito de São Paulo

"Não podemos mentir"

O programa de governo traz pontos como críticas ao sistema político, ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e algumas ideias que o partido entende como de interesse nacional. Um exemplo é impedir a reabertura das escolas enquanto não houver vacina.

Segundo Silva, pelo fato de o PCO observar o Brasil em crise, ele não se pode apresentar "como candidato que faz promessas que não vão ser possíveis de serem realizadas".

"É como se você procurasse um hospital com uma doença crônica, um câncer, e o médico diz que você precisa sorrir", comenta. "O Brasil está enfermo, não só pela covid-19. E os partidos que têm representação política vêm discutir que precisa tapar o buraco das ruas X e Y. Não podemos mentir para o paciente. É ilusão. O PCO está em perfeita sintonia com a realidade."

Importância na esquerda

A falta de programa sobre questões municipais também se deve ao peso do partido na disputa eleitoral, diz.

"Não vai ter influência concreta se o PCO falar sobre cinco centavos a mais no preço da passagem", diz. "Mas um posicionamento nossa de unidade da esquerda em torno da candidatura do Lula [PT] tem influência na esquerda."

Nós não temos chances em um processo eleitoral viciado como esse
Antônio Carlos Silva, candidato do PCO a prefeito de São Paulo

Para ele, "a eleição municipal não empolga ninguém". "Mas a população, diante da situação de desemprego, de fome no país, tem interesse em discutir se tem que tirar o Bolsonaro ou não. Esse tema empolga. Esse tema desperta interesse."

E o discurso unificado segue um mantra, pontua Silva. "Não somos um partido de candidatos. Nós temos candidatos do partido."