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"Não me ancoro em nenhuma candidatura presidencial", diz Paes, no Rio

Luana Massuella

Colaboração para o UOL

05/11/2020 15h54Atualizada em 05/11/2020 18h52

Eduardo Paes, candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo Democratas, disse hoje que não vai pedir apoio a ninguém em um possível segundo turno.

"Eu acho que essa é uma discussão sobre a cidade do Rio de Janeiro. Eu não me ancoro em nenhuma candidatura presidencial. Aqui no Rio nós temos a candidata do Ciro, a candidata do Lula, o candidato do Bolsonaro, o candidato da Marina, e tem o candidato do Rio que sou eu", afirmou, em sabatina feita pelo UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo.

"Eu não procurei o apoio do presidente Bolsonaro, do presidente Lula, do Ciro Gomes, da Marina Silva no primeiro turno e vou continuar sem procurar no segundo turno. Eu, no segundo turno, vou continuar disputando como 'Eduardo Paes' e quero o voto de todos os eleitores do Bolsonaro, do Lula, da Marina e do Ciro Gomes."

A sabatina foi conduzida por Chico Alves, colunista do UOL, e Catia Seabra, repórter da Folha de S.Paulo.

"Eu não quero coronel nenhum atrás de mim, quem vai governar sou eu", disse.

Elogio de Bolsonaro

Em uma live falando sobre a eleição no Rio, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) elogiou Paes, a quem definiu como "bom administrador". Sobre o comentário, Paes afirmou que "comemora qualquer elogio que fazem a ele".

"Agradeço o reconhecimento e o elogio do presidente Bolsonaro, como agradeceria e comemoraria de qualquer eleitor do Rio de Janeiro. Eu quero os votos dos cariocas, se são de extrema-direita, extrema-esquerda, de centro, de meio, de fim", falou.

Campanha atacando Martha Rocha

A propaganda eleitoral do candidato passou a fazer inserções com mensagens afirmando que "o Rio não merece um novo Witzel". Questionado se a mensagem seria para a candidata pelo PDT, Martha Rocha, o candidato afirmou que "o Rio não pode correr o risco de eleger um novo Witzel, ou um novo Crivella, e isso vale para todos os candidatos".

"Para ser honesto, eu nem vejo a propaganda eleitoral. Nem a minha, nem a dos outros. Eu evito de ver porque é tanta gente falando mal de mim que eu prefiro ficar cuidando do dia a dia da rua. Eu sou, de longe, o candidato que mais apanha, de todos os lados. Não me sinto agredido, não vejo como nenhum gesto de covardia, acho que faz parte do jogo político. Quando eu acho que é fake news, a gente entra na Justiça e retira do ar, já retiramos várias propagandas do ar. E, até onde eu sei, não tiraram nenhuma propaganda minha. Pelo jeito não era fake news", disse.

"Inclusive, acho que Martha Rocha entrou com ação na Justiça e a Justiça manteve [a propaganda eleitoral]. Disse: 'Olha, enfim, nossa vida é construída a partir daquilo que a gente foi'. Ela foi chefe de polícia do Sérgio Cabral, não viu nada acontecendo, né? Descobriram lá uma mala de dólar, no chefe de gabinete dela, são fatos noticiados pela imprensa. Então, a verdade tem que ser dita".

Após a campanha de Paes relacionar Martha Rocha com a prisão desse delegado, Hélio Luz, chefe da Polícia Civil à época, escreveu uma carta em que afirma não ter encontrado relação entre a conduta do agente e Martha Rocha. "Eu determinei o afastamento, ela foi afastada e verificamos que o esquema não tinha nada a ver com ela", disse Hélio Luz.

"Se eu não fosse ficha limpa, não estaria aqui"

O TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) decretou a indisponibilidade dos bens do ex-prefeito por suposto direcionamento de processos licitatórios para empresas que atuam no ramo de transportes. Sobre o assunto, o candidato disse que o que levou ao bloqueio foi um valor pago pela gratuidade de algumas passagens de ônibus.

Além disso, o candidato também foi denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio) por receber, segundo investigações, R$ 10,8 milhões de operadores que atuavam a serviço da empreiteira Odebrecht.

Sobre os episódios, Eduardo Paes afirmou que "tem muita tranquilidade a tudo isso". "Diria que há uma certa normalidade nisso, ações, acusações. E compete à gente se defender, mostrar que elas são inconsistentes. Se eu não fosse ficha limpa, eu não estaria aqui disputando a eleição", disse.