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Russomanno: Estou fechado com Bolsonaro, ele é importantíssimo para SP

Luana Massuella

Colaboração para o UOL

06/11/2020 11h52

Celso Russomanno, candidato à eleição pelo Republicanos à Prefeitura de São Paulo, disse hoje que continua "fechado" com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mesmo depois da pesquisa Datafolha, divulgada ontem, mostrar recuo nas intenções de voto do candidato.

Estou fechado com o presidente Bolsonaro, e ele é importantíssimo para São Paulo.

"A gente precisa de recursos aqui [em São Paulo], e esses recursos só o governo federal tem. O governo do Estado está sem recursos. O governador acabou de aprovar um projeto de lei que dá a ele a condição, por decreto, de aumentar o ICMS, o que é muito triste, inclusive, na cesta básica, nos produtos essenciais para comida de pessoas de baixa renda. E só temos um caminho, e o caminho é o governo federal", disse ele, durante sabatina promovida pelo UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo, comandada pelo colunista do UOL Diogo Schelp e Camila Mattoso, editora do "Painel", da Folha.

A pesquisa Datafolha, divulgada ontem, mostra Celso Russomanno (Republicanos) com intenções de voto a 16%, na última pesquisa apresentava 20%. O candidato agora divide a segunda colocação junto com Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB). A rejeição do candidato pelo Republicanos aumentou, agora atingindo 47%. Na última pesquisa, a rejeição era de 38% (20 e 21 de outubro).

Críticas a Covas e Doria

O candidato criticou a gestão de João Doria (PSDB) e Bruno Covas (PSDB). "A gente precisa ter noção de que, se não fosse o auxílio emergencial, as pessoas estariam de que forma? Talvez entrando nos supermercados e saqueando os supermercados para poder sobreviver? E aí eu pergunto: onde o governo do Estado e o governo municipal ajudaram as pessoas durante a pandemia? A gente tem que deixar as coisas bem claras. Pode ser que alguém não goste do jeito de ser de Bolsonaro, mas que ele tem feito tudo por São Paulo, independentemente da questão política ou ideológica, ele tem feito", disse.

Em outro momento, questionado se apoio do presidente seria parte de uma estratégia para se posicionar contra Doria em São Paulo, Russomanno afirmou que Bolsonaro não está em sua campanha por esse motivo". "Eu tenho dito, várias vezes, que nós [ele o presidente] temos uma amizade com data de 1995. Ele tem dois filhos no meu partido. Então, não existe isso."

O candidato ainda relembrou a campanha de 2018, em que João Doria se aliou na onda bolsonarista. "Doria começou a eleição criando o 'BolsoDoria' e depois virou as costas para o presidente sem justificativa nenhuma", disse. E voltou a fazer críticas à atual gestão. "'BrunoDoria' prometeram uma quantidade imensa de coisas e não cumpriram. Bruno não fez o que havia prometido. Bruno e Doria prometeram que acabariam com a Cracolândia."

Saúde de Covas

No mês passado, Russomanno disse que o atual prefeito de São Paulo poderia não terminar o mandato, caso seja reeleito. Questionado se a fala fazia referência à saúde de Covas, que passa por um tratamento de câncer desde o fim do ano passado, o candidato negou: "Eu jamais brincarei com uma situação dessa".

Eu disse que o Ricardo [Nunes, vice prefeito de Covas] poderia assumir. E por que ele poderia assumir? Porque é uma prática do PSDB.

"A gente tem que lembrar que o [José] Serra disse que não deixaria o governo, e deixou, e ficou [Gilberto] Kassab. Que o Doria não deixaria o governo, inclusive assinou, prometeu, disse que era que nem um casamento, que as pessoas terminam casamento também, mesmo tendo prometido durante a cerimônia que teriam ficado a vida inteira. E isso não foi cumprido", falou.

"Eu disse que o sonho do Bruno era ser governador como o avô dele [Mario Covas] foi. Eu nunca disse nada a respeito da saúde. Inclusive, quando fui perguntado, eu disse que não podia responder a respeito disso, porque é uma coisa que só o médico podia responder", afirmou, acrescentando que "querem fazer um estardalhaço" sobre o tema. "O médico do Bruno é o médico da minha esposa. Eu estou vivendo isso em casa. Eu já perdi a primeira esposa, eu já sofri demais na minha vida, eu jamais brincarei com uma situação como essa."

Dia da Consciência Negra

O candidato também retomou a questão de ter criticado ação da Prefeitura no Dia da Consciência Negra, classificando como "ato de vandalismo" o uso de imagens de punhos fechados em semáforos da cidade, e disse que a prefeitura falhou em não comunicar a população sobre a ação em homenagem à data.

"Depois que eu tomei conhecimento do que a Prefeitura queria fazer. A Prefeitura deveria ter feito uma campanha, porque se a gente remeter essa história, nós vamos mostrar que em 1917 Lênin usava o punho fechado como defesa do socialismo", disse.

"Eu não vou polarizar essa questão. Eu fui criado por uma mãe de leite, negra. Eu sou uma pessoa que não vejo diferença entre os negros e os brancos. Tenho grandes amigos que são negros. E tive namorada, inclusive. Eu não tenho problema nenhum com isso. Agora, a prefeitura não pode fazer uma campanha e não dizer para população o que é que ela está fazendo", concluiu.