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Russomanno repete fake news sobre Boulos, que rebate com ação na Justiça

Celso Russomanno (Republicanos) se concentra pouco antes do início do debate da TV Cultura - SUAMY BEYDOUN/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO
Celso Russomanno (Republicanos) se concentra pouco antes do início do debate da TV Cultura Imagem: SUAMY BEYDOUN/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

12/11/2020 23h28Atualizada em 13/11/2020 07h45

O candidato à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, repetiu na TV Cultura fake news já usada ontem contra o candidato Guilherme Boulos (PSOL). Ontem, a Justiça Eleitoral determinou que o Google retirasse imediatamente do ar um vídeo com informações falsas produzido pelo blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio. A decisão acatou um pedido feito pelo psolista e prevê aplicação de multa diária em caso de descumprimento.

Durante o debate UOL/Folha de ontem, Russomanno questionou Boulos sobre supostas empresas fantasmas que teriam recebido dinheiro do psolista. São elas as produtoras Kyrion Consultoria e a Filmes de Vagabundo. A primeira foi contratada por R$ 500 mil e a segunda, por R$ 28 mil, de acordo com as despesas declaradas pelo candidato, conforme o UOL apurou.

Russomanno se referiu nas duas ocasiões a uma "equipe de reportagem" que teria divulgado nas redes sociais ter procurado duas produtoras, mas não encontrou ninguém nos locais indicados. A "equipe de reportagem" que Russomanno cita é, na verdade, Oswaldo Eustáquio, um dos investigados no inquérito sobre atos antidemocráticos que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal). Eustáquio já foi preso no âmbito da investigação.

No debate de hoje, Russomanno voltou a insistir no assunto. Durante o embate entre os candidatos, a plateia reagiu com um "oooh" à fala de Boulos.

"Boulos, no último debate, eu te perguntei a respeito de duas empresas que foram, uma delas aberta recentemente, a outra há algum tempo, que eram empresas fantasmas. O senhor não me respondeu e saiu de fininho, sem resposta nenhuma. Me responda: O senhor está usando empresas fantasmas?".

"Russomanno, me admira muito sua cara de pau neste debate", rebateu Boulos. "Ontem você fez uma acusação leviana de um suposto jornalista, que foi preso pela PF a mando do Supremo porque faz parte do inquérito da fake news do gabinete do ódio. Você se aliou com ele para inventar uma mentira a meu respeito", prosseguiu.

"A Justiça determinou ontem esse vídeo fosse retirado do ar justamente por ser mentira, e você traz isso aqui novamente?", devolveu Boulos. O candidato informou que entrou com uma ação criminal contra o adversário, que foi acolhida.

"Estamos pedindo a apreensão do seu celular, desse meliante com quem você se aliou, com pedido de bloqueio e abertura das suas contas bancárias e da dele para seber quem paga. Quem está pagando, Russomanno, por suas fake news em São Paulo? Vem do dinheiro público? Vou te dar uma oportunidade de responder isso", completou o psolista em seguida.

Russomanno reiterou a acusação dizendo que foi até o local das empresas. "Sabe o que encontrei lá? Nada, absolutamente nada. São duas empresas fantasmas. Quem está representando contra o senhor por usar dinheiro público em empresas fantasmas não é o senhor não, sou eu. E o senhor vai responder por isso, tenha certeza, porque o senhor mente aqui descaradamente", acusou.

Como o UOL publicou ontem, as duas produtoras são de uma diretora de cinema freelancer e de uma equipe que trabalha remotamente durante a pandemia de covid-19. Ambas estão registradas e foram declaradas nos gastos da campanha.

"Olha, Russomanno, francamente, você quer repetir 2018. Quer fazer eleição marcada por fake news. Aqui não, em São Paulo não", rebateu Boulos. "Parece que, na reta final da eleição, o gabinete do ódio entrou em São Paulo. Eles querem repetir 2018: todo mundo se lembra, kit gay e toda aquelas mentiras que foram feitas. Isso mostra que, apesar de essa eleição ser municipal, ela tem um impacto nacional", prosseguiu durante interação com o petista Jilmar Tatto.

Após um pedido de resposta acatado pela organização do debate, Russomanno voltou a defender a autoria do vídeo.

"Eu queria dizer que desqualificar a fonte não impede a irregularidade. É o mesmo que colocar a culpa no termômetro pela febre que a pessoa tem. O que os eleitores de São Paulo precisam saber, sem meias palavras, é como o candidato ostenta a soberba honestidade e usa empresas fantasmas para inventar despesas de campanha. Isso tem que ser explicado", afirmou.

Investigado no inquérito das fake news, o blogueiro Oswaldo Eustáquio já foi preso pela Polícia Federal em 26 de junho. A PF alegou que ele estava utilizando táticas para não ser localizado e o prendeu para amenizar o risco de fuga. Ele é investigado na Operação Lume, inquérito que apura financiamento, apoio e organização de atos antidemocráticos que defendem o retorno da Ditadura Militar e o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal).

O blogueiro já apareceu em lives com o ex-deputado condenado no processo do "mensalão" Roberto Jefferson, quando o líder do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) defendeu que haveria uma tentativa de golpe contra Jair Bolsonaro (sem partido). Ele também foi assessor da ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, durante o governo de transição.

*Colaboraram Alex Tajra, Carolina Marins, Douglas Maia, Felipe Oliveira, Felipe Pereira, Gilvan Marques, Marcelo Oliveira e Pedro Ungheria.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou o terceiro parágrafo, Oswaldo Eustáquio é investigado no inquérito do STF sobre atos antidemocráticos, e não no inquérito das fake news. A informação foi corrigida.