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SP: Telão do TRE para por 4 horas, e funcionários se constragem com memes

O presidente do TRE-SP, desembargador Waldir Sebastião de Nuevo Campos, sofreu para explicar o motivo da lentidão - Marcelo Oliveira/UOL
O presidente do TRE-SP, desembargador Waldir Sebastião de Nuevo Campos, sofreu para explicar o motivo da lentidão Imagem: Marcelo Oliveira/UOL

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

15/11/2020 23h47

No Brasil houve lentidão na totalização dos votos, e o assunto viralizou. Mas em São Paulo foi pior. No TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo), o telão congelou por quatro horas e meia, sem nenhuma atualização da apuração.

No início tudo parecia perfeito. Às 17h, a votação foi encerrada. Às 17h32, o TRE-SP divulgou a primeira parcial dos votos na capital, com 0,39% das urnas apuradas —Bruno Covas (PSDB) liderava com 32,5% dos votos válidos, e Guilherme Boulos (PSOL) aparecia em segundo, com 20,33%.

Poucos depois das 17h30, o presidente do TRE-SP, Waldir Sebastião de Nuevo Campos, deu uma entrevista coletiva protocolar e quase sem graça. Leu um discurso pronto, agradeceu os funcionários do tribunal e seus colegas desembargadores por uma "eleição sem ocorrências importantes".

Tudo indicava que a noite no TRE seria tranquila, tanto que não havia previsão de novos boletins e os equipamentos de som para a entrevista foram desligados e retirados após a coletiva do desembargador Nuevo Campos.

Porém, nada aconteceu na tela do TRE-SP depois daquela primeira parcial com 0,39% das urnas apuradas. Uma hora e meia depois, o TRE-SP informava, por meio da assessoria, que o problema era no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em Brasília, a quem a reportagem deveria se dirigir.

Às 20h, tudo seguia parado, mas havia a possibilidade de que Nuevo Campos falasse com os jornalistas para explicar o que estava acontecendo.

Às 20h49, o desembargador voltou. Tirou a máscara, e o semblante era bem mais tenso do que mais cedo. Explicou que a apuração estava a toda e que os dados eram enviados para Brasília, mas o TRE-SP não tinha acesso aos dados totalizados no TSE. A justificativa foi a de que, nas eleições deste ano, ficou estabelecido que o TSE divulgaria os dados e as parciais.

Ao final da entrevista, o presidente do TRE-SP revelou que houve uma pane no processador do TSE que cuidava dos dados de São Paulo. A informação fora passada pelo próprio tribunal localizado em Brasília, e as atualizações voltariam "em meia hora ou uma hora".

Tensão e memes

Às 21h, a tensão era grande entre os funcionários do TRE-SP. Para se ter uma ideia, na eleição municipal de 2016 o vencedor fora anunciado às 20h34. Quatro anos depois, eles liam constrangidos memes avacalhando a eficiência brasileira na contagem de votos.

O calor era infernal, por mudanças realizadas no hall do TRE em decorrência da pandemia (e o espaço foi aberto e não há mais ar condicionado). Com a tensão e a máscara, o calor só aumentava.

Enfim, às 22h, o placar da contagem dos votos descongelou nos telões do TRE-SP. Com 37,7% das urnas apuradas, Covas seguia liderando, com 32,79% dos votos, seguido por Boulos, com 20,32%.

Público seguiu sem acesso às atualizações

Quinze minutos a tensão voltou. Apesar de os dados que os jornalistas viam no TRE-SP, os colegas na redação seguiam sem acessá-los pela internet.

O trabalho passou a ser feito à moda antiga, com os jornalistas mandando as novas totalizações para as redações disponibilizarem ao público.

Às 22h14, os números mudaram de novo. Com 57,7% das urnas apuradas, o placar era semelhante ao do início: Covas tinha 32,8% e Boulos, 20,3%.

Definitivamente, 2020 não era 2016. Naquele ano, o resultado na Capital havia sido proclamado às 20h34. Dória e Covas haviam sido eleitos com 53,3%. Este ano, tudo indica, Covas disputará o segundo turno com Boulos.

Ninguém no TRE-SP sabe por que os jornalistas presentes no tribunal veem as atualizações, e os demais cidadãos não recebem os novos dados em seus celulares e computadores.

Assim que a tela do TRE-SP registrou 99,67% das urnas apuradas, o presidente Nuevo Campos voltou para conversar com os jornalistas. "É como meu filho diz: 'quando a gente grita gol antes da hora a bola não entra'."