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Brígido: Disputa do 2º lugar em SP é entre bolsonarismo e máquina estadual

Do UOL, em São Paulo

16/08/2022 00h04Atualizada em 16/08/2022 00h38

A colunista do UOL Carolina Brígido afirmou hoje, durante o UOL News, que atualmente tem uma disputa sobre quais nomes irão para o segundo turno com ex-prefeito Fernando Haddad (PT) na corrida ao governo de São Paulo. Para a jornalista, o segundo lugar é disputado entre o bolsonarismo, representado pelo ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato do presidente Jair Bolsonaro (PL), e a máquina do governo, com o atual governador Rodrigo Garcia (PSDB).

A pesquisa do instituto Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica), contratada pela TV Globo e divulgada ontem, mostra o ex-prefeito Haddad na liderança para o governo de São Paulo, com 29%. O ex-ministro Tarcísio e Rodrigo aparecem com 12% e 9%, respectivamente, e estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro, de três pontos percentuais para mais ou menos.

A gente já vê Fernando Haddad meio cristalizado ali em primeiro lugar, já há muitas pesquisas, de acordo com muitos institutos. A grande disputa de São Paulo é pelo segundo lugar. A gente vê Haddad com uma vaga para o segundo turno, e o segundo lugar é disputado entre o Tarcísio e o Rodrigo Garcia. A gente vê uma disputa entre o bolsonarismo e a máquina, na verdade, porque o Rodrigo tem a máquina [do governo estadual] em sua mão e o trunfo do Tarcísio de Freitas é justamente o apoio do presidente Jair Bolsonaro. Carolina Brígido, colunista do UOL

A colunista relembrou que o PSDB tinha o favoritismo da eleição para o governo de São Paulo durante quase três décadas, mas as pesquisas atuais, como a Ipec, apontam para a mudança de direção do eleitorado.

"A gente teve por quase três décadas o amplo favoritismo nas eleições de São Paulo pelo PSDB. A gente vê na história dessas eleições vitórias já contabilizadas no primeiro turno, já aconteceu com o [Geraldo] Alckmin, com o [José] Serra. Então, de alguma forma, o PSDB já lançava essa candidatura, lançava essa campanha, já na frente antes mesmo das candidaturas serem oficializadas", relembrou.

Brígido também citou os apoios que Haddad conseguiu na pré-campanha com os seus possíveis adversários na disputa, Guilherme Boulos (Psol), que desistiu de concorrer ao governo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, e Márcio França (PSB), que concorrerá ao Senado Federal e aparece em primeiro nas pesquisas.

"É interessante a gente pontuar que o Haddad conseguiu se cristalizar ali no primeiro lugar de acordo com alianças que ele foi fazendo no meio do caminho dessa pré-campanha. O petista conseguiu a façanha de pegar o Guilherme Boulos, do Psol, e convencê-lo a apoiar a candidatura. Márcio França, do PSB, também passou pelo mesmo procedimento. Então, ele [Haddad] conseguiu [convencer] dois caras que seriam um voto disputado e agora tem o monopólio da esquerda e centro-esquerda e isso fez com que ele fosse lançado com uma certa vantagem."