Topo

Bolsonaro diz que mundo "passa fome" sem o Brasil

Reprodução
Imagem: Reprodução

Do UOL, em Brasília

27/08/2022 13h27Atualizada em 27/08/2022 20h27

Um dia depois de debochar da fome no país em entrevista ao "Pânico", o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse hoje, em comício na Bahia, que o mundo "passa fome" sem o Brasil.

Com a pandemia e com a guerra... mas o Brasil emergiu. Hoje, os seus números da economia são uns dos melhores do mundo. E, cada vez mais, o mundo olha para nós. O mundo, sem o Brasil, passa fome. Nós temos dever de defender o interesse de cada um de vocês
Jair Bolsonaro

Bolsonaro tem dito em agendas de campanha e entrevistas à imprensa um comentário que teria sido feito pela diretora da OMC (Organização Mundial do Comércio), Ngozi Okonjo-Iweala, em abril. Segundo o presidente, a dirigente afirmou que o mundo não conseguiria se alimentar sem a agricultura brasileira.

A versão é repetida como um mantra principalmente nos compromissos que Bolsonaro costuma ter com representantes do setor do agronegócio, em maioria apoiadores do governo federal e entusiastas da reeleição.

A declaração de hoje ocorreu durante comício em Vitória da Conquista, na Bahia.

Desde o início da campanha eleitoral, Bolsonaro tem adotado estratégias específicas para tentar atrair votos no Nordeste. Um de seus trunfos é a abordagem assistencialista, com menções recorrentes aos programas sociais do governo, como o Auxílio Brasil, a perfuração de poços na região, entre outras ações.

O presidente e candidato à reeleição cumpriu agenda em Vitória da Conquista ao lado de seu ex-ministro da Cidadania (pasta responsável pelos programas sociais), João Roma (PL), que é candidato ao governo da Bahia.

"Vocês sabem que nós também olhamos e muito para os mais humildes e mais pobres", comentou Bolsonaro.

O deboche de ontem. Ao "Pânico", Bolsonaro tentou questionar dados de que 30 milhões de brasileiros estariam atualmente na linha da pobreza. "Alguém vê alguém pedindo pão no caixa da padaria? Você não vê, pô."

O chefe do Executivo federal havia sido questionado por um dos entrevistadores a respeito de uma suposta "controvérsia" dos dados, que também foram levados pela senadora Simone Tebet (MDB), candidata à Presidência, em entrevista ao Pânico há quatro semanas.

Ataques aos adversários. Bolsonaro declarou ainda considerar que Simone "falava besteira" e ironizou trejeitos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário nas urnas em outubro.

"Extrema pobreza é quem ganha até 1,9 dólares por dia, são 10 reais. O Auxílio Brasil hoje paga 20 reais por dia, então esses 30 milhões podem buscar o Auxílio Brasil", disse.

Depois, Bolsonaro questionou se havia gente "pedindo pão no caixa da padaria", mas logo recuou e afirmou que "deve ter gente que passa fome".

"Alguém vê alguém pedindo pão no caixa da padaria? Você não vê, pô. Até no interior... Tem gente que passa mal sim, quem porventura está na linha da pobreza, passando fome, que sim, deve ter gente que passa fome... Tá na iminência aqui da própria Caixa Econômica, junto com o Ministério da Cidadania. Tem um aplicativo para o cara se cadastrar no Auxílio Brasil, sem depender de favores aí de gente do município", concluiu.

33 milhões passam fome. De acordo com a segunda edição do Inquérito Nacional Sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19 no Brasil, feita pela Rede e Penssan (Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional) e divulgada em junho deste ano, há 125 milhões de pessoas em insegurança alimentar (em grau leve, moderado ou grave) no Brasil.

São mais de 33 milhões em situação de fome (insegurança alimentar grave).

Errata: este conteúdo foi atualizado
O governante não recuou em relação ao deboche de ontem e afirmou que "o mundo, sem o Brasil, passa fome". Ele não disse que "com a pandemia e com a guerra, o Brasil passa fome". O erro foi corrigido.