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Internacional

Dois anos depois de terremoto, situação pouco mudou no Haiti; Brasil vira refúgio

Do UOL*, em São Paulo

12/01/2012 06h00

Dois anos após o terremoto de magnitude 7 que matou 200 mil pessoas, o Haiti ainda sofre com vítimas em acampamentos improvisados sem nenhuma esperança de recuperar a vida normal, e com uma parcela da população que foge do país em busca de melhor condições.

Parte dos haitianos tenta recomeçar a vida em outros países, sobretudo no Brasil. O governo brasileiro anunciou, na terça-feira (10), que vai regularizar a situação de cerca de 4.000 haitianos que entraram em território nacional – destes, 1.600 já receberam vistos de trabalho, e os demais devem ter sua documentação regularizada nos próximos dias.

A medida valerá para os imigrantes que já estão no Brasil. Ao mesmo tempo, o governo propõe medidas para aumentar o controle sobre a entrada de haitianos no país, como a restrição da emissão de vistos a um total de cem por mês, e a exigência de que sejam requisitados na Embaixada do Brasil no Haiti.

A maioria dos haitianos entra na América do Sul pelo Chile ou Equador e segue em direção ao Brasil -- grande parte está concentrada nos municípios de Brasiléia (AC) e Tabatinga (AM). Os vistos permitem a permanência no Brasil por cinco anos para quem exercer um trabalho regular.

“Aqueles que entrarem depois, estarão em situação irregular e, como qualquer outro estrangeiro nessa situação, serão notificados e extraditados”, afirmou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Oficiais brasileiros falam sobre trabalho de resgate


Os haitianos não poderão entrar no país na condição de refugiados políticos, por decisão do Conselho Nacional para os Refugiados (Conare). “O Conare entendeu que não é caso de refúgio político, e sim de vulnerabilidade econômica”, acrescentou o ministro.

 

Além disso, o controle nas fronteiras será reforçado, em parceria com os governos do Equador, Bolívia e Peru – este último informou que vai exigir visto aos haitianos que queiram entrar no país.

Segundo organizações humanitárias, os imigrantes haitianos na Amazônia estão vivendo em situação precária. A Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) do Amazonas anunciou que prestará assistência a eles, com a ajuda de R$ 300 mil prometidos pela ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello.

No Haiti

Em Porto Príncipe, a situação não mudou muito desde o terremoto que atingiu o país em 12 de janeiro de 2010. Segundo a ONU, mais de 500 mil pessoas continuam desabrigadas, nos cerca de 800 acampamentos montados nas regiões afetadas pela catástrofe.

O país tem 9,9 milhões de habitantes, dos quais 4,3 milhões são crianças que enfrentam dificuldades de sobrevivência, desenvolvimento e proteção. Os adultos não esperam por melhoras. “Não tenho nenhuma esperança de mudança, mas enquanto houver água e sal...”, afirmou a desabrigada Valérie Loiseu, 28, citada pela agência AFP.

“Tenho esperança em Deus, não nos governantes do país”, completou. O sentimento é generalizado no acampamento onde mora. Os desabrigados se consideram esquecidos, apesar da chegada ao poder, no ano passado, do novo presidente haitiano, Michel Martelly.

Eleito em abril, Martelly criticou o uso do dinheiro da ajuda internacional destinado à reconstrução do país – um total de US$ 4 bilhões.

"Uma das coisas que mais me inquietam é que depois do terremoto injetamos US$ 4 bilhões e hoje eu, presidente do Haiti, tenho problemas para identificar um projeto, algo que tenha sido feito com esses US$ 4 bilhões", afirmou.

*Com informações da Agência Brasil, AFP, EFE e do portal A Crítica

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