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Rei da Espanha, que mandou Chávez se calar, presta condolências

Do UOL, em São Paulo

06/03/2013 11h07Atualizada em 06/03/2013 13h38

Líderes de diversos países e organizações internacionais manifestaram suas condolências pela morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que morreu nesta terça-feira (5), aos 58 anos, vítima de um câncer.

rei Juan Carlos I da Espanha enviou nesta quarta um telegrama ao vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, com uma mensagem de condolência à nação venezuelana pela morte do presidente Hugo Chávez, informaram fontes da Casa do Rei.

Chávez e o rei da Espanha protagonizaram um bate-boca em 2007, durante a 17ª Cúpula Ibero-Americana, realizada em Santiago do Chile. Na ocasião, Juan Carlos irritou-se com fala do líder venezuelano e, dirigindo-se a Chávez, mandou-o ficar calado dizendo “por qué no te callas”. 

Do hospital madrilenho onde se recupera de uma intervenção cirúrgica para tratar uma hérnia de disco, o monarca pediu a Maduro que transfira seus pêsames aos parentes de Chávez.

Juan Carlos I relembrou o "empenho e dedicação" de Hugo Chávez a favor de seu país e do conjunto da região ibero-americana e transmitiu a Maduro seus melhores desejos de amizade e bom andamento das relações bilaterais entre os povos espanhol e venezuelano. 

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, homenageou Chávez e afirmou que o líder venezuelano foi vítima de "uma doença suspeita". Morreu de uma "doença suspeita e deu sua vida (...) pela ascensão de seu país e a liberdade de seu povo", escreveu o presidente iraniano em uma carta de condolências publicada no site da presidência do Irã.

A menção de Ahmadinejad ao caráter suspeito da doença de Chávez encontra eco na afirmação do vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que antes do anúncio oficial da morte do presidente, em um primeiro pronunciamento na TV na manhã da quinta-feira (5), acusou os "inimigos do país" de estarem por trás da doença de Chávez.

O governo do Irã decretou um dia de luto oficial no país persa pela morte de Chávez, a quem classificou como "fugura anti-imperialista" e "herói" da América Latina. Ahmadinejad saudou chávez como "um mártir por ter servido seu povo e protegido os valores humanos e revolucionários".

"A Venezuela perdeu um filho forte e corajoso, e o mundo perdeu um líder revolucionário e sábio", completou Ahmadinejad. "Não tenho dúvidas de que voltará, junto com o virtuoso Jesus e o Homem perfeito", disse o presidente iraniano. A última menção foi uma referência à crença xiita de que o 12º imã, o "Mahdi", desaparecido no século VII, voltará ao mundo junto com Jesus Cristo para salvar o mundo e trazer a paz.

A Venezuela é o principal aliado do Irã na América Latina. Os dois países desenvolveram estreitas relações econômicas e políticas nos últimos anos. Chávez fez 13 visitas ao Irã durante os 14 anos que passou no poder. Ahmadinejad viajou seis vezes a Venezuela desde que assumiu a presidência em 2005.

O Vaticano, que se encontra neste momento sem papa, enviou seus pêsames à Venezuela pela morte em Caracas do presidente Hugo Chávez através do cardeal venezuelano Jorge Urosa Savino, disse o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi.

"Sei que o cardeal Jorge Urosa Savino, que se encontra aqui em Roma, já manifestou sua participação e pêsames e pediu a unidade desta nação. De outras entidades da Santa Sé não tenho informações de que tenha sido enviada uma mensagem. Não há papa. Nesta circunstância particular é natural que o cardeal venezuelano seja a pessoa que comunique os pêsames", explicou Lombardi.

O cardeal venezuelano celebrará uma missa solene em homenagem ao presidente Chávez em Roma devido ao fato de estar no Vaticano participando das reuniões preparatórias para o conclave que deverá eleger o sucessor de Bento XVI.

A presidente Dilma Rousseff cancelou a visita que faria à Argentina nesta quinta-feira (7) para ir ao funeral do presidente venezuelano, que acontecerá em Caracas na sexta-feira (8). Em pronunciamento na TV na terça-feira (5), Dilma afirmou que Chávez era "um amigo do povo brasileiro" e que a morte do líder venezuelano "deve encher de tristeza todos os latino-americanos e os centro-americanos".

"O presidente Chávez deixará no coração da história e nas lutas da América Latina um vazio", destacou Dilma, que tinha "um grande carinho" pelo comandante.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota nesta quarta-feira (6) afirmando que ter recebido a notícia da morte de Chávez com muita tristeza. "Tenho orgulho de ter convivido e trabalhado com ele pela integração da América Latina e por um mundo mais justo. Eu me solidarizo com o povo venezuelano, com os familiares e correligionários de Chávez, neste dia tão triste, mas tenho a confiança de que seu exemplo de amor à pátria e sua dedicação à causa dos menos favorecidos continuarão iluminando o futuro da Venezuela".

O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou o "apoio dos Estados Unidos ao povo venezuelano e seu interesse no desenvolvimento de uma relação construtiva" após a morte de Chávez. "Se inicia um novo capítulo na história da Venezuela. Os Estados Unidos seguem comprometidos com políticas que promovam os princípios democráticos, o estado de direito e o respeito aos direitos humanos", disse.

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-Moon, enviou suas "sentidas condolências" à população e ao governo da Venezuela logo após saber da morte do presidente Hugo Chávez, 58. "É a primeira notícia que tenho, e, mesmo que mais adiante faça uma declaração formal, quero enviar minhas sentidas condolências à família do presidente Hugo Chávez, assim como ao povo e ao governo da Venezuela", disse o secretário-geral à imprensa na sede das Nações Unidas.

O vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, expressou condolências em sua conta no microblog Twitter: “Grande dor em toda a América. Se foi um dos melhores. Até sempre, Comandante: junto a Néstor [Kirchner] nos guiarão á vitória dos povos!”, escreveu Boudou.

O chanceler da Costa Rica, Enrique Castillo, também lamentou a morte do presidente venezuelano, ressaltando esperar que a Venezuela “encontre seu caminho na democracia, na paz e na institucionalidade”. Ele afirmou ao site Amerliarueda.com esperar “que a sociedade Venezuelana possa suportar esta perda e definir seu rumo nas instituições democráticas do país”. È clara a melhora nos índices sociais da Venezuela. Confiamos que esta nova etapa seja venturosa para o povo venezuelano; esperamos que possam encontrar seu caminho para assegurar o progresso e o bem-estar”, afirmou ainda o chanceler.

O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, divulgou uma nota de pesar pedindo que o povo venezuelano se mantenha unido. "É um momento de grande dor para os venezuelanos e os acompanhamos junto a todos os povos da região", declarou Insulza em documento.

O governo da Colômbia, através do chanceler María Angela Holguín, expressou sua "profunda tristeza" pela morte do presidente venezuelano ao relembrar o apoio que deu ao processo de paz no país. "Chávez foi um apoio muito importante para este processo de paz que em estamos (com a guerrilha comunista das Farc). Tomara que encontre a paz porque teve uma doença muito penosa e muito longa", afirmou Holguín em declarações divulgadas de seu gabinete.

O presidente do Uruguai, Josá Mujica, divulgou uma curta mensagem momentos antes de anunciar que viajaria para Caracas para participar do velório de Chávez. "Sempre se sente a morte, mas quando se trata de um militante de primeira linha, de alguém que uma vez defini como 'o governante mais generoso que conheci', a dor tem outra dimensão. A razão não ajuda nestes casos. Dá uma magnitude superior da perda", disse Mujica, destacando confiar "no povo venezuelano, no governo, na fortaleza dessa democracia da qual meu amigo Chávez foi um grande construtor".

O presidente do Equador, Rafael Correa, expressou seu "profundo pesar pelo lamentável falecimento" do presidente venezuelano, "líder de um processo histórico na América". Em nota, Correa disse que a morte do presidente Hugo Chávez representa uma "perda irreparável" e que o legado deste "memorável revolucionário continuarão fortalecendo as relações entre ambos os países e a integração da América Latina".

"O Equador sente como própria esta perda e deseja ao povo irmão venezuelano os melhores êxitos no futuro, com a convicção de que saberão manter e engrandecer sua história, sua revolução, o desenvolvimento, a fraternidade e a solidariedade que caracterizam suas ações", sublinhou a declaração do governo de Correa.

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, através de um post no Twitter, enviou suas condolências à família e ao povo venezuelano. "Lamento o falecimento do Presidente Hugo Chávez. Minhas mais sentidas condolências a sua família e ao povo venezuelano".

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, qualificou Chávez como um líder "profundamente comprometido com a integração da América Latina". "Foi um homem profundamente comprometido com a integração da América Latina", afirmou Piñera no Palácio La Moneda, na capital chilena.

"Tínhamos diferenças, mas sempre soube apreciar a força, o compromisso com o qual o presidente Chávez lutava por seus ideais", acrescentou Piñera. O presidente do Chile destacou ainda o impulso de Chávez na criação da Comunidade dos Estados Latino-americanos e do Caribe (Celac), que realizou sua primeira cúpula em Santiago, no dia 28 de janeiro.

O presidente peruano, Ollanta Humala, expressou sua "profunda dor" pela morte de Chávez e desejou que, nestes momentos difíceis, "a unidade e a reflexão" sejam fortalecidas de "maneira pacífica e dentro do caminho democrático".

"Queremos enviar à família do amigo Hugo Chávez um forte abraço, nossa solidariedade bolivariana, sul-americana e latino-americana", disse Humala em pronunciamento no Palácio do governo, em Lima.

O presidente boliviano, Evo Morales, se disse "destruído" pela morte de Chávez.

O governo da Guatemala, por meio do chanceler Fernando Carrera, expressou seu pesar. "É um momento triste que vamos manifestar nossas condolências ao povo venezuelano".

O deposto ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, considerou Chávez como um líder de "grande coração" e um dos responsáveis pela união da América Latina, "um dos maiores líderes do final do século XX".

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que ficou triste ao saber da morte de Chávez. “Como presidente da Venezuela por 14 anos ele deixou uma impressão permanente no país e como um todo", afirmou. 

O ministro das Relações Exteriores da China, Yang Jiechi, o presidente da Assembleia Nacional Popular (Legislativo), Wu Bangguo, e outras autoridades chinesas, foram à Embaixada da Venezuela em Pequim prestar suas condolências pela morte de Hugo Chávez. Sob uma ordem, os políticos chineses baixaram a cabeça em sinal de luto em frente a um retrato de Chávez pendurado na legação, e, depois assinaram o livro de condolências e deram os pêsames à embaixadora venezuelana na China, Rocío Maneiro.

"Durante seu mandato, realizou uma importante contribuição às relações de amizade e cooperação entre China e Venezuela", expressou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying, em entrevista coletiva em Pequim.

A porta-voz chinesa acrescentou que "o partido, o governo e o povo da China estão dispostos a trabalhar com a Venezuela para desenvolver constantemente a associação estratégica entre ambos países". Segundo Chunying, tanto o presidente em fim de mandato, Hu Jintao, como o secretário-geral do Partido Comunista da China (PCCh) e próximo chefe de Estado chinês, Xi Jinping, enviaram hoje mensagens de pêsames ao vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

(Com agências internacionais)

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