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Mergulhadores retiraram 16 corpos de balsa sul-coreana; já são 49 mortos

Familiares aguardam notícias dos mais de 200 desaparecidos no porto de Jindo, a cerca de 20 km da balsa naufragada, enquanto as equipes trabalham em missões de busca e salvamento - Kim Kyung-Hoon/Reuters
Familiares aguardam notícias dos mais de 200 desaparecidos no porto de Jindo, a cerca de 20 km da balsa naufragada, enquanto as equipes trabalham em missões de busca e salvamento Imagem: Kim Kyung-Hoon/Reuters

Em Jindo (Coreia do Sul)

19/04/2014 23h51

Mergulhadores resgataram na manhã deste domingo (20) - horário local - novos corpos da balsa sul-coreana que naufragou na quarta-feira com 476 pessoas a bordo, enquanto o capitão detido defendeu a decisão de adiar a saída dos passageiros da embarcação.

Neste sábado foram realizados os primeiros resgates, somando 16 corpos. Com os três deste domingo, foi confirmada a morte de ao menos 49 pessoas, informou a agência de notícias coreana Yonhap. Anteriormente já haviam sido resgatados o corpo de dez pessoas; oito homens e duas mulheres.

Mais cedo no sábado, três corpos tinham sido resgatados logo após a meia-noite (hora local), marcando o início do difícil processo de recuperar os restos mortais das supostas centenas de pessoas que ficaram presas quando a balsa "Sewol" de 6.825 toneladas adernou e naufragou.

Os três corpos estavam com coletes salva-vidas e dois eram de homens, segundo a Guarda Costeira. "Os mergulhadores viram três corpos através de uma janela", anunciou Choi Sang-Hwan, subdiretor da Guarda Costeira. "Tentaram recuperar os corpos quebrando o vidro, mas era muito difícil", completou durante uma reunião com os parentes dos desaparecidos.

Os parentes assistiram um vídeo com imagens gravadas por um mergulhador, mas apesar da lanterna potente utilizada, a visibilidade era muito reduzida.

As equipes de emergência pretendem prosseguir com o resgate durante toda a noite, segundo a Guarda Costeira.


Durante o dia, os mergulhadores, que lutam há três dias para vencer as fortes correntezas e o mar agitado, conseguiram enfim entrar na embarcação, totalmente submersa.

De acordo com a Guarda Costeira, uma equipe de 560 mergulhadores se reveza em turno de 10 deles, para tentar entrar na embarcação e localizar pessoas ou corpos; ao mesmo tempo, 204 embarcações da Marinha, Guarda Costeira, e privadas vasculham a área, com apoio de 34 aeronaves.

Capitão preso

O capitão acusado de negligência, Lee Joon-seok, e dois membros da tripulação foram detidos neste sábado e terão que responder por acusações de negligência e falhas na segurança dos passageiros, uma violação do código marítimo.

O homem de 69 anos tem sido muito criticado por ter abandonado a embarcação que naufragou na quarta-feira na costa meridional da Coreia do Sul, enquanto centenas de pessoas, em sua maioria adolescentes em viagem escolar, permaneciam presas a bordo.

Das 476 pessoas a bordo, mais de 350 eram estudantes da mesma escola de nível médio na cidade de Ansan (ao sul de Seul). Apenas 174 pessoas foram resgatadas com vida.

Os familiares receberam neste sábado uma mensagem de pêsames do papa Francisco, que tem uma visita programada ao país em agosto.

"Rezem comigo pelas vítimas da catástrofe da balsa na Coreia do Sul e por suas famílias", escreveu o pontífice no Twitter.

Decisão de adiar a saída O subdiretor da Guarda Costeira, que afirma ainda ter esperanças de encontrar sobreviventes, informou que serão instaladas redes ao redor da balsa para impedir o afastamento dos corpos.

O capitão e dois tripulantes foram levados para a delegacia de Jindo, a ilha vizinha ao local da tragédia.

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Lee Joon-seok tentou explicar os motivos de sua decisão de adiar a saída dos passageiros depois que a embarcação ficou imobilizada.

As 476 pessoas que estavam a bordo receberam ordem para que permanecessem em seus assentos por mais de 40 minutos, segundo sobreviventes.

Quando a balsa começou a afundar, era muito tarde, já que os passageiros não conseguiam avançar pelos corredores inclinados, ao mesmo tempo que a água dominava a embarcação.

"Naquele momento (durante os 40 minutos posteriores ao choque), os barcos de emergência não haviam chegado. Também não havia pesqueiros ou quaisquer outros barcos que pudessem nos ajudar", declarou o capitão com a cabeça abaixada e coberta por um capuz.

"As correntes eram fortes e a água estava muito fria. Pensei que os passageiros seriam arrastados e teriam dificuldades se a retirada acontecesse em desordem, sem coletes salva-vidas", disse.

"E teria acontecido o mesmo com coletes", acrescentou.

Revolta dos parentes Não foram encontrados sobreviventes desde a manhã de quarta-feira. Os 174 sobreviventes foram resgatados poucas horas depois do naufrágio, no mar ou quando pulavam da balsa que ainda afundava.

Suicídio

Das 476 pessoas transportadas pela embarcação, 352 eram estudantes do colégio Danwon de Ansan, uma localidade ao sul de Seul, que estavam em uma viagem escolar.

O vice-diretor da escola, que havia sobrevivido à catástrofe, foi encontrado enforcado na sexta-feira, em um aparente suicídio.

"Sobreviver é muito difícil... Eu assumo toda a responsabilidade", escreveu em uma carta encontrada em sua carteira, segundo a imprensa local.

A revolta dos familiares aumentou nas últimas 48 horas. Os pais acusam as autoridades e os serviços de emergência de incompetência e indiferença.

"Não temos muito tempo. Muitos acreditam que é o último dia possível para encontrar passageiros vivos", disse Nam Sung-Won, que tinha um sobrinho de 17 anos a bordo. "Depois de hoje, tudo estará acabado", completou.

A causa do acidente ainda não foi determinada. As informações da Marinha indicam que a balsa girou bruscamente antes de enviar um sinal de socorro. O choque pode ter desequilibrado a carga --150 automóveis-- e inclinado a embarcação. (Com agências internacionais)

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