Retirada de civis de Aleppo é retomada após acordo

Do UOL*, em São Paulo

  • AFP

    Ônibus traz pessoas que foram retiradas de Fua e Kafraya nesta segunda-feira (19)

    Ônibus traz pessoas que foram retiradas de Fua e Kafraya nesta segunda-feira (19)

Mais de 3.500 pessoas saíram, na manhã desta segunda-feira (19), do último reduto rebelde no leste da cidade síria de Aleppo à espera da votação de uma resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) que permita supervisionar as operações, que deverá ser votada às 12h --horário de Brasília. A evacuação das pessoas foi retomada hoje

Estas operações de evacuação foram possíveis graças ao acordo fechado entre Turquia, aliada dos rebeldes, Irã e Rússia, que apoiam o governo sírio, informou o OSDH (Observatório Sírio de Direitos Humanos).

Desde a madrugada passada, 65 ônibus com doentes, feridos, civis e combatentes opositores partiram dos distritos sitiados da metade oriental de Aleppo em direção à área de Al Rashidin, a oeste da cidade.

Enquanto isso, cerca de 500 pessoas chegaram a bordo de dezenas de ônibus a zonas sob o controle das autoridades sírias em Aleppo procedentes de Fua e Kefraya, na vizinha província de Idlib e rodeadas pela Frente da Conquista do Levante e por outras facções.

Troca de acusações

A evacuação em Aleppo --que fica no norte da Síria-- começou na quinta-feira (15), mas foi suspensa na sexta-feira (16) no meio das acusações entre as partes. Há dois dias, foi feito um novo pacto, que incluía a evacuação de pessoas de Fua e Kefraya --localidades no noroeste do país, sitiadas pelos rebeldes na província vizinha de Idlib-- em troca da retomada do processo de evacuação em Aleppo, uma reivindicação que, desde o começo, o Irã havia feito.

A evacuação seria retomada no domingo (18), mas ela voltou a ser paralisada no mesmo dia. Vários ônibus que aguardavam para entrar nas localidades de Fua e Kefraya foram atacados e incendiados por homens armados do grupo extremista Jund al Aqsa, vinculada à Frente da Conquista do Levante. Um dos motoristas dos ônibus foi atingido e morreu. O grave incidente provocou a suspensão das operações nas três cidades.

Mesmo assim, 350 pessoas conseguiram sair no domingo de Aleppo e chegar a Khan al-Assal, em território rebelde, a oeste da segunda maior cidade da Síria graças à mediação de Rússia e Turquia, segundo o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Milhares de pessoas permanecem bloqueadas desde sexta-feira em Aleppo, reconquistada quase em sua totalidade pelo governo sírio após uma violenta ofensiva aérea e terrestre de um mês, aliada a um cerco implacável desde julho.

No reduto rebelde ainda estariam quase 40 mil civis e entre 1.500 e 5.000 combatentes junto a suas famílias, de acordo com o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura.

Após a conclusão da retirada de Aleppo, o regime proclamará a reconquista total da cidade, o que representará sua maior vitória desde o início da guerra em 2011, que deixou mais de 310 mil mortos e provocou o deslocamento de metade da população do país.

ONU

Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU deve se pronunciar nesta segunda-feira sobre um novo projeto de resolução que pretende garantir o bom desenvolvimento da retirada de civis e rebeldes no leste de Aleppo.

Após uma longa sessão de consultas a portas fechadas no domingo, os 15 membros do Conselho de Segurança chegaram a um compromisso para modificar um texto apresentado pela França e que chegou a ser ameaçado por um veto da Rússia. Mas à noite, o embaixador russo Vitali Churkin afirmou que era "um bom texto".

A Rússia --grande aliada da Síria-- sempre vetou as resoluções do Conselho de Segurança, mas desta vez a embaixadora americana Samantha Power afirma que espera uma "votação unânime" a favor.

O embaixador francês François Delattre disse que os 15 países encontraram uma "área de entendimento" para um texto de compromisso.

No último rascunho do projeto, obtido pela AFP, há uma demanda para que "a ONU e outras instituições pertinentes que supervisionem de maneira adequada, neutra e direta as retiradas dos bairros do leste de Aleppo". A ONU deverá, para isto, "enviar funcionários adicionais". (Com Efe, Reuters e AFP)

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