Para novo chanceler, Maduro é "tirano" e Trump representa "o pior do Partido Republicano"

Do UOL, em São Paulo

  • Marcos Oliveira/Agência Senado

O novo ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), é completamente contrário ao governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a quem chama de tirano e ditador, e acredita que o presidente dos EUA, Donald Trump, é "o pior" entre os integrantes do Partido Republicano. É o que mostra a compilação de suas declarações à imprensa em notas oficiais e em seu perfil oficial no Twitter.

Aloysio foi confirmado como o substituto de José Serra (PSDB-SP) nesta quinta-feira (2). Serra renunciou ao cargo por problemas de saúde que o impediriam de viajar e cumprir suas funções como chefe da diplomacia brasileira.

Eleito senador em 2010 e em 2014, Aloysio era o líder do governo no Senado e chegou a comandar a Comissão de Relações Exteriores do Senado. Além disso, Aloysio é próximo de Serra e foi indicado por Aécio Neves (PSDB-MG), de quem foi vice na chapa na eleição contra a ex-presidente Dilma Rousseff.

Sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, o chanceler afirmou no Twitter que o magnata é "é o Partido Republicano de porre. É o que há de pior, de mais incontrolado, de mais exacerbado entre os integrantes de seu partido".

 

 

O novo chanceler integrou, em 2015, a comitiva brasileira que tentou visitar, na Venezuela, opositores detidos e foi impedida de sair do aeroporto. Na ocasião, Aloysio afirmou que o governo de Nicolás Maduro seria assassino.

"O que aconteceu em Caracas foi uma coisa vergonhosa. Esse governo venezuelano Nicolás Maduro enlouqueceu. O governo brasileiro tem hoje o dever absoluto, diante dos compromissos que assumiu quando firmou os acordos do Mercosul, que tem cláusulas democráticas, de segurar a mão desses assassinos, que já mataram dezenas de opositores."

Em outra ocasião, Aloysio chamou Maduro de "tirano" por não permitir o monitoramento das eleições na Venezuela em 2015. Em 2016, o chanceler afirmou que "a marcha da Venezuela para a ditadura, aberta e declarada, acelera-se cada vez mais". Ele ainda defendeu a realização de um novo referendo no país: "É preciso que o povo fale novamente através do referendo para, dentro das normas constitucionais, resolver o impasse".

Brexit

Entretanto, ao comentar a votação britânica que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia, Aloysio se declarou pessoalmente contra decisões plebiscitárias.

"Isso tudo reforça em mim o horror que eu tenho à democracia plebiscitária. Questões como estas nunca podem ser resolvidas num 'Fla-Flu', num 'sim ou não', 'fica ou sai'. Essas questões institucionais têm que ser resolvidas pelos representantes do povo. O plebiscito sempre foi, principalmente na Europa, um instrumento de manipulação de líderes carismáticos, populistas, autoritários. É uma tradição nefasta na Europa", afirmou.

Aloysio ainda vê riscos com o Brexit, como é chamada a saída britânica da UE, para o mundo. "Eu me oriento por saber quem comemorou. Foi o Trump, a Marine Le Pen (política de direita na França), a Forza Itália (partido do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi), o Partido Comunista Português, a extrema-direita da Holanda. Esse pessoal todo se assanhou. E o Reino Unido, que era uma força de moderação, de tolerância, de cultura democrática, mostra essa política interna agora com tendências de direita, xenófobas, nacionalistas", disse Aloysio em entrevista ao jornal "Estado de S. Paulo" em junho de 2016.

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