Pentágono investiga possível papel da Rússia em ataque químico na Síria

Do UOL, em São Paulo

O governo americano está investigando se a Rússia participou do ataque sírio com armas químicas que provocou a morte de 86 pessoas no norte do país e motivou a ofensiva dos EUA contra uma base aérea do governo de Bashar al-Assad. Se o apoio ao ataque químico for confirmado, ele terá implicações dramáticas para as relações entre Washington e Moscou.

Segundo o porta-voz do Pentágono, os Estados Unidos tentam determinar se um caça russo bombardeou um hospital para onde foram levadas vítimas do ataque químico cinco horas após o fato com a intenção de eliminar provas. Os EUA querem saber se a Rússia sabia do ataque químico antes de ele ocorrer.

O Pentágono apresentou uma análise que mostraria a rota seguida por um avião sírio responsável pelo ataque químico sobre a cidade de Khan Sheikhun, que decolou da base aérea de Shayrat, bombardeada na quinta-feira durante a noite (hora de Brasília) por mísseis americanos. Segundo os EUA, o avião estava na zona onde aconteceu o ataque químico no momento do fato.

Tropas russas de uma unidade de helicópteros estavam em operação no aeroporto de Shayrat, por isso poderiam saber que a aviação síria promoveria o ataque. O Pentágono também quer conhecer a capacidade do programa químico da Síria. Assad se comprometeu, em 2013, a entregar todo seu arsenal químico à Rússia. Era responsalibidade de Moscou transferir aos EUA o arsenal para a sua destruição, o que supostamente ocorreu em 2014.

"Sabemos que os russos têm especialistas em armas químicas no país. Não podemos falar abertamente de qualquer cumplicidade entre russos e o regime sírio neste caso, mas estamos avaliando cuidadosamente qualquer informação que possa implicar que os russos sabiam ou ajudaram no ataque", acrescentaram fontes americanas sob anonimato.

Nesta sexta-feira (7), fontes militares americanas afirmaram sob anonimato que um drone, supostamente de propriedade russa ou síria, foi detectado sobrevoando a área atingida pelas armas químicas na região opositora de Idlib depois do ataque, realizado no começo desta semana. A Rússia é um dos aliados mais importantes da Síria e há anos resiste aos esforços dos EUA para retirar Assad do poder.

Ataque químico mata civis na Síria

Até mesmo quando conselheiros de Trump insistiram que o ataque com mísseis realizado pelos EUA não marcou uma mudança significativa na política da Casa Branca, o presidente convocou outros países a ajudá-lo a "acabar com o massacre e o derramamento de sangue na Síria".

Canal de comunicação fechado

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou oficialmente ao Pentágono o fechamento da chamada "linha direta" para prevenir acidentes entre os aviões russos e norte-americanos na Síria a partir deste sábado. O comunicado foi feito pelo porta-voz do Ministério, general Igor Konashenkov.

A linha direta havia sido estabelecida em 2015, pouco depois de a Rússia se envolver definitivamente no conflito sírio, para tentar evitar eventuais problemas ou mal-entendidos entre americanos e russos.

Nesta sexta-feira, um porta-voz do Pentágono, o Major Adrian Rankine-Galloway, expressou sua esperança de que a Rússia reconsidere esta posição. "O Departamento da Defesa mantém o desejo de um diálogo através do canal sobre segurança de voos", disse. O porta-voz acrescentou que a manutenção seria "em benefício de todas as partes que operam no espaço aéreo da Síria evitar acidentes e erros de cálculo, e esperamos que o Ministério russo da Defesa chegue a esta mesma conclusão."

Esta linha direta funcionava entre um centro americano de operações no Catar e um centro russo operando a partir de território sírio. Trata-se simplesmente de uma linha telefônica direta atendida permanentemente e que do lado americano inclui um oficial que fala russo. A linha, informou o Pentágono, havia sido utilizada quase diariamente desde que foi instalada.

A decisão de não utilizar esta linha pode aumentar significativamente os riscos tanto para os pilotos quanto para as forças terrestres. A Rússia também anunciou que reforçará a defesa antiaérea na Síria, em especial para proteger elementos fundamentais da sua infraestrutura.
 

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